ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 28/08/2019

Regresso ao medievo: crimes de gênero no Brasil

Malala Yousafzai, em seu livro, “Eu Sou Malala”, relata a opressão e desigualdade enfrentada pelas mulheres no governo Talibã. No entanto, a problemática não se restringe às sociedades extremistas, no Brasil, um país aclamado mundialmente por sua população “alegre” e “simpática”, muitas mulheres sofrem com a violência de gênero todos os dias. Por isso, deve-se analisar os principais fatores que contribuem para a permanência de tais práticas na sociedade brasileira, sejam eles de ordem cultural ou sociológica.

Em um primeiro plano, é indubitável que a questão dos valores humanos trespassados aos jovens e adolescentes tem grande influência nas suas atitudes posteriores. Conforme as ideias do filósofo Pitágoras, as atitudes humanas são reflexo direto da educação recebida por cada indivíduo, portanto, ela é a responsável por ordenar e ensinar os valores necessários a uma boa convivência na sociedade. Nesse âmbito, a valorização da mulher e seu condicionamento como igual perante ao homem devem ser ensinamentos inerentes à pedagogia, principalmente em uma sociedade reconhecidamente machista como a brasileira.

Outrossim, análises do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) indicam que cerca de 13 mulheres são assassinadas por dia, em território nacional, sendo 7 destes atos cometidos por pessoas próximas às vítimas. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a apatia presente na sociedade para o tratamento de tais dados influencia nas medidas tomadas para revertê-los. Disques-denúncia e Delegacias especializadas no tratamento de casos de violência de gênero são fracamente divulgados,  tornando-se meios ineficientes devido à desinformação geral, contribuindo, por isso, para a permanência do feminicídio descontrolado.

Infere-se, portanto, que a violência contra a mulher é um mal para a sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos pressionar os Governos Regionais para a criação de delegacias especializadas no tratamento aos casos de maus tratos contra mulheres, a fim de oferecer suporte àquelas que sofrem com esse tipo de situação, permitindo uma ação mais rápida contra possíveis culpados. Ainda, cabe às Associações de Formação Cultural, como a Escola e a Família , incentivar a discussão da problemática da agressão ao sexo oposto, permitindo aos jovens compreender os aspectos fundamentais dos direitos humanos aplicados ao cotidiano, diminuindo o pensamento machista e potencialmente agressivo em muitos jovens. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, e criar uma realidade díspar da vivida por Malala.