ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 10/09/2019

Durante toda a história ocidental, com base nos padrões eurocêntricos, a história da mulher foi, e vem sendo construída em capítulos de árdua e vagarosa conquista de direitos igualitários e fundamentalmente humanos que sempre lhes foram privados pela sociedade. Além de diversos outros problemas, o Brasil falha em dar suporte para que nossas mulheres superem os desafios do machismo institucionalizado. Isto é ainda mais grave quando estas tornam-se alvo das mais variadas violências.

Pode-se observar nas menores e nas maiores escalas, que o reflexo da insistência dos altos índices de violência contra a mulher, como o feminicídio e o abuso sexual e moral, encontra-se inicialmente na discriminação sofrida por esta no seu dia a dia. É sintoma de um país que agride suas mulheres também não trata-las com a devida igualdade e confiança ao permitir, indiretamente, os melhores empregos no mercado de trabalho, bem como cargos políticos, aos homens. Além disso, vê-se em conversas informais ou mesmo “piadas” o público feminino sendo inferiorizado, subjugado, e menosprezado quanto a realização de tarefas triviais erroneamente atribuídas aos homens. Não bastasse toda a humilhação cotidiana, há ainda o assédio que mães e filhas desse país dificilmente escapam ilesas.

Outrossim, ainda que muito se avançou em termos de punibilidade com a criação da Lei Maria da Penha, os vagarosos processos civis dos agressores colocam as agredidas em uma situação de fragilidade e insegurança. Do mesmo modo, cumprem a função oposta da lei, criando sensação de impunidade e a liberdade aos agressores que, mesmo com medidas protetivas, representam uma ameaça à vítima. O resultado são mulheres que sofrem em silêncio e com medo de represálias, o que retroalimenta a perpetuação da flagelação física e mental destas a ponto de comprometer indefinidamente suas vidas, a de eventuais filhos e da sociedade.

Em virtude do exposto, percebe-se que esta é mais uma nobre batalha que a sociedade deve acatar. As medidas contra a violência que insiste em perdurar nossos tempos devem evoluir até se obter um resultado de mínima ou nenhuma violência. Se faz necessários campanhas publicitárias, criadas pelo Ministério da Família e dos Direitos Humanos, mais incisivas, com imagens e mensagens fortes, que façam um possível agressor repensar. Deve-se também criar leis que prevejam a prisão preventiva de agressores, pelo Congresso e Senado, em prol da segurança da vítima. Adicionalmente, é primordial um acompanhamento psicológico oferecido pelo SUS, para uma produtiva reinserção social da agredida. Dessa forma, nossas mulheres gozaram de todos os direitos inerentes ao homem (espécie humana), inclusive o da segurança do corpo e da alma.