ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 14/09/2019
Mulheres não são “fraquejadas”
O machismo está enraizado em nossa sociedade, na qual ainda prevalece o modelo patriarcal. A mulher só foi inserida na política brasileira, tornando-se cidadã, na Era Vargas. No entanto, passaram-se décadas para serem protegidas por leis como a Maria da Penha, resguardando sua integridade física e psicológica. Embora o Brasil esteja caminhando rumo a uma sociedade mais igualitária, os índices de violência permanecem altos. Isso exige que o Poder Legislativo tome mais providências para, de fato, acabar com a misoginia que ainda é uma triste realidade.
Em primeiro lugar, a agressão física persiste como problema, o que evidencia uma disparidade nas relações de poder na sociedade brasileira. Segundo Focault, todas as relações sociais ocorrem associadas a um poder individual. O homem ainda ganha o privilégio de ser considerado o mais forte, enquanto a mulher luta para desconstruir a imagem de “sexo frágil”. As estatísticas são reflexo desse pensamento. Segundo dados do IBGE, as mulheres ganham 21% a menos que os homens, reforçando o esteriótipo de que as mulheres são “inferiores” e merecem ganhar menos.
Portanto, ao contrário do homem, que já possui uma força intrínseca à sua imagem, a mulher precisa constantemente se impor como membro integrante da política e das relações sociais. E uma forma de colocar-se contra essa violência que, no entanto, parece inabalável, é usufruir dessas novas leis. O crescente número de casos de violência coopera para a construção prática de direitos tão básicos. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Avon, 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, seja física ou psicológica. Esses dados evidenciam o quanto o corpo social ainda reproduz padrões violentos que matam tantas mulheres diariamente.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem sabe, assim, o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia para o Brasil e elegemos candidato a presidência que não tenha discurso machista, alegando que mulheres são resultados de uma “fraquejada”.