ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 17/09/2019

Na série brasileira “Sessão de Terapia”, Selton Melo interpreta um psicólogo ao receber uma paciente que relata sobre a experiência sofrida por meio de violência física e psicológica em um relacionamento abusivo que vivenciara. No entanto, fora de ficção, esta é uma realidade constante no cotidiano de muitas mulheres submergidas em ambientes fatigantes e violentamente repreensivos. Tal persistência de violência que ainda mantêm-se na sociedade brasileira, tem raízes tanto na equivocada premissa do não envolvimento externo em ambiente continuo de uma comunidade patriarcal que ainda inferioriza a mulher em muitas esferas sociais.

Em primeiro lugar, é importante compreender que a abstenção quando em caso de ciência do ato de agressão, contribui para a continuidade e permissividade do indivíduo agressor. Neste sentido, é factível contextualizar a não intervenção apesar da ciência do observador por meio de Martin Luther King ao narrar não exatamente o grito dos maus o fator que o perplexa, mas o silêncio dos bons. Com isso, a relutância que inviabiliza ou atrasa a prestação de socorro; além de reforçar a conduta de assédio e violência, fragiliza a mulher agredida e acomete substancialmente seus direitos e dignidade.

Ademais, há amplo desequilíbrio em termos de igualdade de gêneros, desde fatores que validem efetivamente a participação incisiva da mulher em âmbitos políticos, de esportes e principalmente valorização profissional e equidade salarial. Dados mecanismos são fundamentalmente arraigados e coniventes à manutenção de uma cultura extremamente viciosa e cíclica, que descredibiliza a mulher de forma velada e operante. Um dos maiores exemplos que endossa essa premissa e acaba por desaguar na historicidade da violência à mulher, fora o não reconhecimento da “Declaração dos direitos da mulher e da cidadã”; concebido por Olympie de Gouges no período da Revolução francesa, ocasionando seu assassinato.

Portanto, é imprescindível que o Estado intensifique medidas que inibam essa prática e endossem a denúncia, a fim de descontinuar as formas de violência contra a mulher no Brasil. Desta maneira, é fundamental que o Ministério da Justiça promova palestras, fóruns e ações que reforcem canais de denúncia, a autuação e a forte punição criminal dos infratores, bem como a disponibilização de apoio físico, moral e psicológico de mulheres submetidas a tais situações; atuando no processo de valorização da mulher e validação da equidade social de gêneros. As ações se farão por meio de parcerias de ONGs de apoio a mulher, atuando em seu respeito e civilidade.