ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 11/04/2020

As raízes que fixam o modelo sociocultural brasileiro foram fincadas em solos inférteis do sexismo europeu dominante, trazido pelos portugueses e seu modelo patriarcal durante a colonização. A força física como mecanismo de dominação social relegou às mulheres um papel secundário na sociedade e, além de expô-las à situações de vulnerabilidade, as privou de direitos fundamentais durante incontáveis séculos.

A priori, cabe ressaltar que tal viés social ainda lança seus reflexos sobre a sociedade contemporânea, repercutindo no pensamento da mulher como sexo frágil, ou um indivíduo em estado psicológico inferior ao homem, como Freud propôs em seus estudos no final do século XIX. A verdade é que o meio onde esses pensamentos surgiram foi o que desencadeou esse mecanismo de retroalimentação acerca da inferiorização da mulher. O que serve apenas para trazer mais desigualdade de gênero e fortalecer a objetificação feminina.

Em segunda análise, observa-se que aumento progressivo de casos de violência contra a mulher na sociedade brasileira expõe nossas chagas mais antigas. Afinal, com novos meios de denúncia e investigações mais criteriosas, os casos que antes passavam despercebidos agora chegam ao conhecimento público, revelando com mais fidedignidade o desequilíbrio entre gêneros. A passividade diante desse cenário, fomenta a violência de gênero na sociedade.

Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de medidas que possam reverter essa situação. O Poder Legislativo deve criar legislações que tornem as punições mais severas ao agressor, desestimulando a violência contra a mulher. Ademais, as escolas devem ofertar aulas sobre igualdade de gênero, além de uma mudança de abordagem da mídia acerca da imagem feminina, não as objetificando e sim divulgando campanhas governamentais que incentivem as denúncias contra os agressores. Assim, o Brasil entrará em uma nova era de harmonia entre os gêneros.