ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 11/05/2020

Na canção “mulher de malandro”, de 1931, Francisco Alves apresenta como personagem uma moça que, à medida que apanha, aumenta sua afeição pelo companheiro. O autor reforça ainda que “pancada de amor não dói”. Hodiernamente, essas palavras soam absurdas. Entretanto, a violência contra a mulher é um problema que perdura no Brasil, a qual apresenta como principais causas o machismo cultural e a objetificação pela qual a mulher é frequentemente submetida.

Inicialmente, é relevante salientar que existe no Brasil um machismo culturalmente arraigado. A recente conquista do voto feminino e participação na política são provas disso. Até 1934 as brasileiras não podiam votar, fato que prejudicou sua plena participação na sociedade e contribuiu para reforçar uma posição de inferioridade perante o homem, estereótipo que é mantido até hoje e corrobora a desigualdade de gênero.

Por conseguinte, infere-se que essa subalternidade a qual a mulher é submetida reforça um comportamento de objetificação feminina. Esse padrão pode ser facilmente identificado nas propagandas, letras de músicas e programas televisivos que costumam retratar a mulher como um objeto, um corpo a ser utilizado e descartado. Essa grande influência midiática reforça o comportamento violento e agressivo de alguns homens, os quais julgam-se superiores às suas companheiras e não aceitam que elas tomem suas próprias decisões e sejam independentes.

É evidente, portanto, a necessidade da criação de um novo paradigma comportamental da sociedade. Para eliminar todas as formas de violência pelas quais as mulheres passam, urge que o Ministério da Educação deve revisar a grade curricular do ensino básico e incluir disciplinas de ética e psicologia desde o ensino fundamental, ação que deve ocorrer por meio de amplas discussões com pais, professores e estudiosos sobre o tema, visando conscientizar as crianças e adolescentes sobre a igualdade de gênero. Somente assim será possível alcançar uma sociedade sem a violência tratada com normalidade no século XX por Francisco Alves. século XX.