ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 18/05/2020

Absurdamente falando, nas pesquisas realizadas no site: mapadaviolencia.org.br, entre os anos de 1980 e 2010, ou seja, 30 anos decorridos, foram assassinadas no país acima de 92 mil mulheres, 43,7 mil só na última década. O número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, que representa um aumento de 230%, mais que triplicando o quantitativo de mulheres vítimas de assassinato no país. Esse número se baseia em casos em que, mulheres conseguem denunciar a violência ou no caso de um final trágico e com isso as autoridades descobrirem a causa mortis, ou seja, violência doméstica. Mas cedível saber que existe ainda mulheres que não denunciam essa forma de violência por dependência econômica ou por medo do que isso possa acontecer a ela e seus familiares.

Historicamente, a inferiorização da mulher, basicamente iniciou-se durante o período colonial. Nessa época, elas eram totalmente submissas aos seus pais, maridos e senhores do engenho, muitas vezes agredidas e enclausuradas e dependentes economicamente. Logo, é perceptível que, essa origem histórica trouxe resquícios em nossa atualidade, embora a mulher esteja buscando e se destacando por seu espaço na sociedade, existe ainda uma quantidade relevante de mulheres com o pensamento arcaico de serem apenas dona do lar, e com isso aceitam a submissão, e até diante da dependência aceitam serem violentadas por seus maridos, isso quando essa omissão não leva ao um triste fim crime de feminicídio.

No que insere o crime de feminicídio, convém informar que além da esfera matrimonial, que seria o caso da esposa se submeter a aceitar essa violência em decorrência da manutenção familiar, existe casos em que a mulher é violentada por namorados, filhos e por seus pais, por simplesmente um termino de relacionamento ou por uma simples discordância, ou manifestar sua vontade.

Todos os dias mulheres morrem, só pelo fato de serem mulheres. Recentemente, uma moça chamada Rayane, de 16 anos, foi vítima por não aceitar ter relações sexuais com um homem que lhe deu carona. Isso ocorre porque a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do feminino reflete no cotidiano dos brasileiros. Nesse viés, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como fonte de prazer para o homem, e são ensinadas desde cedo a se submeterem aos mesmos e a serem recatadas. Dessa maneira, constrói-se uma cultura do medo, na qual o sexo feminino tem medo de se expressar por estar sob a constante ameaça de sofrer violência física ou psicológica de seu progenitor ou companheiro. Por conseguinte, o número de casos de violência contra a mulher reportados às autoridades é baixíssimo, inclusive os de reincidência.

Em 2006 após uma luta incansável de uma de mulher esgotada de sofrer maus tratos e após duas tentativas de homicídio por parte do ex-marido que à deixou para

plégica, se engajou em busca de justiça, não só à ela, mas para todas as mulheres que sofriam e sofrem desse mal. Denunciou o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, em 2001, que foi condenado por omissão e negligência pela Corte Interamericana de Direitos Humanos sendo criada uma legislação adequada a esse tipo de violência A Lei Maria da Penha (11.340/06).

Tendo em vista os aspectos observados, o número absurdo de violência contra as mulheres e a falta de punição severa aos infratores, é necessário intervir. “A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos” (Barão de Montesquieu). Cabendo primeira a sociedade, mudar essa visão machista que vê a mulher como objeto sexual, induzindo os meninos desde sua infância a olhar a mulher como algo desejável e não admirável e respeitado. Deverá ainda aos nossos governantes dar maior segurança e credibilidade quanto as denúncias ocorridas, devendo ser puníveis ainda em uma simples desejo mal intencionado, uma simples fala ou uma simples mensagem, inibindo e punindo assim um futuro crime que possa estar surgindo de forma prematura. Espera-se com isso, esse mudança na natureza machista da sociedade e bem como uma punição severa e tratada com severidade como exemplo em uma simples mensagem ameaçadora, que esses números sejam alterados e se possa viver em um pais onde todos somos iguais perante a lei como nos assegura nossa Constituição Federal de 1988 em seu artigo 5.