ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 12/05/2020

No Brasil, o voto feminino somente foi viável no governo de Getúlio Vargas, em 1934, ou melhor, 45 anos após a proclamação da república. Certamente, o referido acontecimento exemplifica uma das diversas restrições a que o grupo feminino, por anos, foi submetido. Um efeito disso foi a consolidação da cultura machista no meio social, o que contribuiu para a persistência da violência contra a mulher e influenciou, diretamente, no tratamento do Estado frente a esse assunto.

A priori, o passado de um país tende a delatar quais os possíveis contratempos que ele irá enfrentar futuramente. Uma vez que atualmente 177 brasileiras, em média, são espancadas, por hora, conforme o G1 e, dentre elas, metade não denunciam, sendo a justificativa desse triste cenário vinculada à demora em criar leis destinadas a tal conjuntura criminalística. Sobre o exposto, o motivo, pelo qual a Lei Maria da Penha foi criada, ratifica o fato de o Brasil remediar assuntos, como esse, somente quando eles atingem grandes proporções.Isso porque a lei citada foi feita apenas em 2006 devido, especialmente, à magnitude das agressões acometidas à Maria da Penha Fernandes, a qual foi agredida por seu marido e teve prejuízos físicos e psicológicos. Diante da demora evidenciada, mulheres passaram a adiar as denúncias, a fim de evitar uma exposição pública, a qual não resultasse no fim dos atos violentos acometidos a elas.

A posteriori, estudantes da Universidade Federal do Paraná, ao verificar os dados de uma delegacia da mulher, observou que mais de 50% dos agressores pagam suas fianças e aguardam o desenrolar do seu julgamento em liberdade. Dessa forma, percebe-se a ineficácia do Estado em minimizar os casos de violência contra a mulher, pois se trata de um problema sociocultural, então, viabilizar o pagamento de fiança ao agressor não é uma atitude de cunho educativo e não garante a segurança da vítima. Ademais, a mesma pesquisa aponta que insultos e ameaças dificilmente são tidos por mulheres como atos de violência. Destarte, é possível concluir que a grande ocorrência de tais ofensas viabilizou a perda de senso crítico até mesmo pelas vítimas, as quais hoje tratam com normalidade os xingamentos e ameaças proferidos, principalmente, por seus cônjuges.

Nota-se, então, a veracidade do Estado impedir, por meio da Educação, que as gerações futuras cresçam imersos a uma cultura patriarcal, antiga e egocêntrica. Posto isso, o Ministério da Educação deve realizar palestras nas escolas, a fim de tornar os estudantes engajados na causa do combate a violência contra a mulher. Ademais, tais palestras deverão apresentar exemplos de agressões verbais aos alunos, no intuito de evitar a contínua normalização delas no meio social. Por fim, panfletos serão distribuído à população informando-a sobre as datas e os horários das palestras.