ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 15/05/2020
No Brasil, o voto feminino somente foi viável no governo de Getúlio Vargas, em 1934, ou melhor, 45 anos após a proclamação da república. Certamente, o referido acontecimento exemplifica uma das diversas restrições a que o grupo feminino, por anos, foi submetido. Com efeito, a cultura machista consolidou-se no meio social, o que contribuiu para a persistência da violência contra a mulher e influenciou, diretamente, no tratamento do Estado frente a esse assunto.
A priori, os dilemas, que um país enfrenta hoje, podem ser considerados reflexos de um passado conturbado. Uma vez que atualmente 177 brasileiras, em média, são espancadas, por hora, conforme o G1 e, dentre elas, metade não denunciam, sendo a justificativa desse triste cenário vinculada à demora em criar leis destinadas à tal conjuntura. Sobre o exposto, o motivo, pelo qual a Lei Maria da Penha foi criada, ratifica o fato de o Brasil remediar assuntos, como esse, apenas quando eles atingem grandes proporções. Isso porque a criação dessa lei ocorreu no ano de 2006 devido, especialmente, à magnitude das agressões acometidas à Maria da Penha Fernandes, a qual foi agredida por seu marido e teve prejuízos físico e psicológicos. Diante disso, mulheres passaram a adiar as denúncias, a fim de evitar uma exposição pública que não resultasse no fim dos atos violentos acometidos a elas.
A posteriori, estudantes da Universidade Federal do Paraná, ao verificar os dados de uma delegacia da mulher, observou que mais de 50% dos agressores pagam suas fianças e aguardam o desenrolar do seu julgamento em liberdade. Dessa forma, percebe-se a ineficácia do Estado em minimizar os casos de violência contra a mulher, pois se trata de um problema sociocultural, então, viabilizar o pagamento de fiança ao agressor não é uma atitude de cunho educativo, bem como não garante a segurança da vítima. Ademais, a mesma pesquisa aponta que insultos e ameaças dificilmente são tidos por mulheres como atos de violência. Destarte, é possível concluir que a grande ocorrência de tais ofensas viabilizou a perda de senso crítico até mesmo pelas vítimas, as quais, hoje, tratam, normalmente, os xingamentos e ameaças proferidos, principalmente, por seus cônjuges.
Enfim, nota-se a veracidade do Estado impedir que as gerações futuras cresçam imersos a uma cultura patriarcal, antiga e egocêntrica. Posto isso, o Mistério da Educação deve realizar palestras nas escolas, com o objetivo de tornar os estudantes engajados na causa do combate a violência contra a mulher. Além disso, tais palestras deverão apresentar exemplos de agressões verbais aos alunos, no intuito de evitar a contínua normalização delas no meio social. Junto a isso, panfletos serão distribuídos à população informando-a sobre as datas e os horários das palestras. Assim, o grupo feminino deixará de postergar as denúncias e o machismo passará a fazer parte, exclusivamente, do passado brasileiro.