ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 17/05/2020
A Organização Mundial da Saúde, OMS, classifica violência contra a mulher qualquer atitude capaz de gerar morte ou dano, seja físico, psicológico, sexual ou moral a elas. Diante dessa definição, nota-se no Brasil a perpetuação desse tipo de violência, desde o período colonial, sendo imperioso reverter esse cenário. Com isso, antes de resolver a problemática, é preciso entender motivos que contribuem para essa persistência, como o machismo social e a baixa eficácia do governo.
Primeiramente, uma das formas do machismo ser refletida na sociedade é em violência contra as mulheres. O Brasil apresentou uma colonização de caráter patriarcal, nela o papel feminino era de inferioridade, elas não apresentavam direitos, eram restritas aos afazeres domésticos e deveriam ser submissas aos seus maridos. Consequentemente, mesmo após esse período histórico, a ideia do homem ser superior enraizou-se na sociedade - consoante à Durkheim, um pensamento coletivo influencia atitudes individuais -, isso deu origem ao machismo. Com isso, a mulher apresenta seu valor diminuído e vil a muitos homens, o que leva a acharem que tem o direito de agredi-las, seja fisicamente ou psicologicamente. Dessa forma, é necessário cessar com a recorrência dessas atitudes e ideias.
Ademais, o sistema governamental apresenta falhas, as quais contribuem para a continuação da violência contra o público feminino. A escritora Clarisse Lispector evidenciou em suas obras literárias condições da mulher no século XX, as quais podem se associar à necessidade do surgimento dos movimentos feministas. Neles, mulheres lutam pelos seus direitos, não só contra a violência, mas pela igualdade social também. Como consequência, o início do século XXI foi marcado por muitos movimentos desse perfil, os quais contribuíram para a criação da Lei Maria da Penha, um passo a mais no combate a violência contra a mulher. No entanto, isso mostrou que o governo não atuava de forma eficaz, sendo necessário mulheres lutarem por direitos os quais deveriam ser assegurados pelo Estado.
Medidas, portanto, para minimizar o impacto do machismo e das ações governamentais na persistência da violência contra a mulher são necessárias. As escolas devem expor aos seus alunos, mediante palestras e debates mensais, as barbáries sofridas por grande parcela das mulheres, a fim de formarem alunos, sobretudo homens, conscientes e que lutem pelo fim desse quadro social. Nesses encontros, professores necessitam relacionar a História do Brasil com o momento atual, sua relação com o machismo e consequências, assim poderá, de fato, romper com o machismo na geração futura. Além disso, o governo deve intensificar a luta contra a violência contra as mulheres, com a criação de leis mais severas e mais funcionários públicos destinados nesse combate. Dessa maneira, mesmo que a jornada seja longa, Lao Tse, filósofo chinês, já afirmará que o primeiro passo é necessário.