ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 18/05/2020
A violência contra a mulher é uma das manifestações mais cruéis e evidentes da desigualdade de gênero no Brasil nos dias atuais. Estabelecida em uma cultura patriarcal impregnada de valores sexistas, nossa sociedade vem sofrendo com um problema que, mais do que persistente, tem se mostrado crescente em meio a um cotidiano lúbrico e sustentado por relações sociais profundamente agressivas.
Nos últimos anos a questão foi sendo gradativamente colocada no centro do debate público, até ser finalmente considerada como prática que não deve ser tolerada. Isso se deu com a edição de diversas leis, como a Maria da Penha e, por fim, com a de importunação sexual, de 2018, dentre outros exemplos. Conquanto, é nítido o descompasso entre o notável reforço no arcabouço legal e a efetuação de frágeis políticas públicas voltadas ao combate a esse tipo de violência. Ao contrário do que se imagina, a rede de proteção estatal, idealmente desenhada pela lei, frequentemente tem demonstrado inutilidade de dar guarida às vítimas, que geralmente preferem o silêncio.
Sequaz a isso, a ineficácia de tais ações pode ser apontada como a responsável pelo sentimento de impunidade por parte do agressor que, não raro, permanece em liberdade e dando continuidade às suas ameaças. Isso aumenta não só a sensação de insegurança da ofendida, como também o descrédito relativamente ao amparo do poder público. Como se não bastasse, o próprio preconceito, já cristalizado na mente da população, contribui para o julgamento equivocado do contexto em que ocorre a agressão, sendo comuns as situações de inversão da atribuição de culpa, em que esta recai sobre a mulher que sofreu o ataque. Sob esse aspecto, a questão revela-se ainda mais complexa, uma vez que extrapola a esfera criminal e passa a assumir contornos culturais e psicossociais.
Isto posto, mostra-se primordial a adoção de medidas que efetivamente neutralizem o poder de ação do autor da violência, tanto no âmbito da segurança pública, quanto em relação a políticas de prevenção. Para isso, é preciso intimidar o reforço que impõem a linguagem da violência como referência em nossa sociedade, investindo em projetos socioeducativos direcionados à valorização e à proteção da figura da mulher.