ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 19/05/2020
Em um documentário produzido pela Netflix, “Hot Girls Wanted”, é mostrado a indústria pornográfica e suas condições de opressão feminina para que o prazer masculino aconteça. Em uma de suas célebres falas, a escritora francesa Simone de Behaviour cita o papel social da fêmea, que é desligitimizada como ser humano enquanto o homem ocupa esse lugar. Ademais, a socialização feminina deve ser repensada a partir da aniquilação de moldes patriarcais, emancipando a condição de vida femínea desde sua raiz.
Segundo dados do jornal virtual G1, em 2019, os casos de feminicídio no Estado de São Paulo aumentaram em 76%, sendo 26 dos 37 casos registrados de violência doméstica. Inserto nesses dados, estes são capazes de mostrar como a misoginia - ou seja, o ódio as mulheres - estão presentes nos moldes sociais, sendo este presenciado desde o período colonial, o qual foi caracterizado por posicionar a mulher como vulnerável e passiva aos tratos masculinos, gerando uma crise identitária nas mesmas, cujo não se reconhecem como indivíduo.
Outrossim, a Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, tornou a punição para agressões contra a mulher mais rigorosa quando ocorridas no âmbito doméstico e familiar. Deste modo, é de suma importância trazer à tona debates sobre a evasão por parte do Estado para com as mulheres e o meio social ao qual estão insertas, tendo em vista que somente prender não mostra efetividade. Este fato pode ser comprovado por meio de dados apresentados pelo jornal G1, cuja pesquisa expõe dados de 2019 sobre encarceramento no Brasil, que apresentam uma superlotação e aumento de 166% nas prisões o que revela, em uma análise mais delicada e detalhada, que a efetividade e correção não são dadas na prisão.
Tendo como objetivo erradicar tal problemática, é papel inicial da mídia rever suas políticas de propagandas e cessar a promoção da objetificação de corpos femininos e a submissão dos mesmos em seus meios de comunicação. Idem, é de precisão urgente que o Estado revise seus meios punitivos e trabalhe na melhora e investimentos da educação, visando melhorar a socialização de crianças e jovens à margem social e, em paralelo, garantindo as mulheres direito básicos de existência por meio da revisão de suas políticas públicas. Por fim, é imprescindível a participação do Ministério da Educação na solução desta problemática, sendo este feito por meio da inserção educacional sobre sociologia, história e filosofia, garantindo que meninas e meninos tenham acesso a materiais históricos sobre o patriarcado e seu funcionamento, visando tornar essa problemática uma utopia e contrapor o pensamento da socióloga Simone de Behaviour perante a desligitimação feminina.