ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 23/05/2020
No Brasil, o voto feminino somente foi viável no governo de Getúlio Vargas, em 1932, ou melhor, 43 anos após a proclamação da república. Certamente, o referido acontecimento exemplifica uma das diversas restrições a que o grupo feminino, por anos, foi submetido. Com efeito, a cultura machista consolidou-se no meio social, o que contribuiu para a persistência da violência contra a mulher e influenciou, diretamente, no tratamento do Estado frente a esse assunto.
A priori, os atuais dilemas, enfrentados por um país, tendem a ser reflexos de um passado conturbado. Uma vez que hoje 177 brasileiras, em média são espancadas, por hora, conforme o G1 e, dentre elas, metade não denunciam, sendo isso vinculado à demora em criar leis destinadas à tal conjuntura. Sobre o exposto, o motivo, pelo qual a Lei Maria da Penha foi criada, ratifica o fato de o Brasil remediar assuntos, como esse, apenas quando eles atingem grandes proporções. Isso porque a elaboração dessa lei ocorreu no ano de 2006 devido, especialmente, à magnitude das agressões acometidas à Maria da Penha Fernandes, a qual foi agredida por seu marido e teve prejuízos físicos e psicológicos. Como pode ver, a ideia machista, da mulher ter que servir o pai, o irmão e o marido, está tão enraizada na sociedade brasileira que uma cidadã, a Maria da Penha, precisou sofrer graves agressões para o Estado agir em prol dela e das demais vítimas desse tipo de crime.
A posteriori, uma pesquisa, feita pela Universidade Federal do Paraná, constatou que mais de 50% dos agressores pagam suas fianças e aguardam o desenrolar do seu julgamento em liberdade. Dessa forma, é notória a ineficácia do Estado em minimizar os casos de violência contra a mulher, pois se trata de um problema sociocultural, então, viabilizar o pagamento de fiança ao agressor não é uma atitude educativa, bem como não garante a segurança da vítima. Ademais, a mesma pesquisa aponta a dificuldade das mulheres de tipificar determinados discursos como atos de violência. Destarte, afere-se que os insultos, por exemplo, tornaram-se tão comum entre os brasileiros que até mesmo as vítimas perderam o senso crítico, o qual as possibilitassem classifica-los corretamente.
Enfim, vê-se a necessidade de ações que possam reverter o triste cenário esmiuçado. Posto isso, o Ministério da Educação deve realizar palestras nas escolas, a fim de tornar os estudantes engajados na causa do combate a violência contra a mulher. Além disso, tais palestras deverão apresentar exemplos de agressões verbais aos alunos, no intuito de evitar a contínua normalização de determinados discursos no meio social. Junto a isso, panfletos serão distribuídos à população informando-a sobre as datas e os horários das palestras. Assim, o grupo feminino deixará de postergar as denúncias e o machismo passará a fazer parte, exclusivamente, do passado brasileiro.