ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 05/06/2020
Publicada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direito à segurança e ao bem-estar social. No entanto, quando aplicada à vivência diária de inúmeras mulheres vítimas de violência no Brasil, tal conceito não se mostra efetivamente válido. Nessa perspectiva, é necessário um olhar mais cauteloso para quais podem vir a ser as causas da perpetuação dessas estatísticas.
Em primeiro lugar, pode-se atribuir uma parcela do problema à uma falta de amparo e segurança, que pode levar as vítimas de violência – tanto física, como psicológica – a sentirem medo de fazer uma denúncia e se tornarem um alvo ainda maior da fúria de seus agressores. Nesse sentido, o medo dessas mulheres se torna totalmente justificável após uma pesquisa disponibilizada em 2012 pelo site mapadaviolência.org.br, que aponta que, entre 1980 e 2010 mais de 92 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. Sendo assim, é inaceitável a maneira negligente com que a situação vem sendo conduzida.
Em segundo lugar, como explorado na obra distópica “O Conto da Aia”, da autora canadense Margaret Atwood, a sociedade possui, desde seus primórdios, uma estrutura essencialmente patriarcal, que ensina aos homens comportamentos machistas e violentos de forma velada e silenciosa. Com isso, eterniza nos mesmos uma visão deturpada sobre o papel ocupado pelas mulheres e ajuda a construir o cenário de violência supracitado. Dentro dessa realidade, é de extrema importância que tais ensinamentos tão intrínsecos sejam rapidamente desconstruídos e repensados, a fim de uma mudança genuína no cerne do problema.
Em virtude dos fatos mencionados, é certo que medidas são necessárias. Cabe aos Ministérios da Justiça e da Cidadania, por meio da aprovação de um Projeto de Lei junto à Câmara dos Deputados, disponibilizar escoltas policiais para as mulheres que efetuarem denúncias graves, em conjunto a ações de amparo e consultas psicológicas para as mesmas, criando assim um ambiente mais seguro e acolhedor para essas vitimas e que pode vir a encorajar outras mulheres a exporem seus casos. Dessa forma, pretende-se frear a perpetuação da violência contra a mulher na sociedade brasileira.