ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 08/06/2020

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à persistência da violência contra a mulher na sociedade. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do receio da denúncia - infelizmente comum entre as mulheres - e da clássica injustiça brasileira.

Convém ressaltar, a princípio, que o medo de denunciar os agressores é um fator determinante para a persistência do problema. Sob essa lógica, o imperativo categórico, de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange à questão da violências contra as mulheres - legado histórico nacional deplorável -, há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia.

Outrossim, a injustiça - causa comum da impunidade - ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva e impunidade no que tange as agressões comumente sofridas pelas brasileiras do século XXI.

Portanto, para que a violência contra as mulheres deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Justiça, em parceria com as mídias de grande acesso, divulguem amplamente os canais de denúncia, tanto via telefone, quanto online, por meio de publicações nas redes sociais e transmissões ao vivo, esclarecendo a importância das denúncias e a possibilidade de fazê-la anonimamente. Nessas transmissões seria viável convidar voluntários que foram beneficiados pelo exercício da denúncia a relatarem sua experiência, a fim de desmistificar e superar o receio de denunciar que muitas pessoas têm.