ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 04/07/2020

“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas”. Como exemplificado na música mulheres de Atenas de Chico Buarque, desde a Grécia Antiga perpetua-se uma cultura machista e patriarcal, passada de geração em geração, desta forma sendo naturalizada e tendo como consequência problemas como a persistência da violência contra a mulher. Este fenômeno ainda é agravado porque muitas mulheres não denunciam temendo julgamentos e retaliação, dificultando o combate a esse mal.

Primeiramente, cabe abordar que violência não é só física, podendo ser também psicológica, sexual, moral, social, política ou econômica. Sabendo disso e vendo a constância de tais acontecimentos, mulheres se uniram visando lutar por seus direitos e por igualdade, através de um movimento chamado feminismo, um importante nome é Simone de Beauvoir e uma de seus pensamentos mais conhecidos é “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, esta celebre frase diz muito sobre a dificuldade que as mulheres enfrentam uma sociedade que normaliza as agressões contra elas. Na sociedade brasileira ocorre a banalização do mal em relação as agressões contra o sexo feminino, como descrito pela filósofa Hanna Arent, a execução da maldade contra outro ser humano é naturalizada.

Ainda, vale ressaltar que a vergonha é uma questão histórica da violência contra a mulher, como citado pela escritora e promotora de justiça Silvia Chakian. As vítimas se sente coagidas pois muitas vezes são culpabilizadas pela sociedade, não recebem o devido apoio dos órgãos competentes e podem sofrer retaliação. Para Chakian “existe essa perversidade na análise da palavra da mulher vítima de violência sexual. A análise do comportamento é deslocada para a vítima, não para o violador”, o que reforça a dificuldade de pedir ajuda, a gravidade disto é vista quando analisa-se os números do site do governo, o Brasil representa a quinta maior taxa de feminicídio no mundo. Mesmo com a Lei Maria da Penha que foi criada com intuito de proteger as mulheres as estatísticas ainda são assustadoras.

Diante desse cenário, é preciso que a violência contra a mulher seja desnaturalizada e para que isso aconteça deve-se mudar a cultura, iniciando desde a educação básica, o Ministério da Educação deve implantar projetos nas escolas visando mostrar as crianças que eles devem ser tratados como iguais, para minimizar e anular as taxas de violência. Ainda, é necessário que os Poderes Legislativo e Executivo se unam para aumentar a eficiência da Lei Maria da Penha na proteção do população feminina, por meio de um sistema de apoio as vítimas, pois sem apoio e incentivo o sistema se torna falho e as vítimas não confiam neste para denunciar. Para que a sociedade evolua por completo é necessário que as mulheres alcancem seus direitos e se sintam seguras para viver.