ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 15/07/2020
A música “Respeita as minas”, de Kell Smith, diz: “O grito antes preso na garganta já não me consome, é para acabar com o machismo”. Em oposição à música, muitas mulheres não conseguem relatar seus casos e nem ao menos dizer sobre a frequência e a persistência da violência sofrida contra as próprias mulheres brasileiras. Em suma, essa violência persistente ocorre por influência de raízes históricas e psicológicas ocorridas no Brasil.
Em primeira análise, durante o século XIII, os portugueses vieram para o Brasil com o objetivo de realizarem a colonização do país, entretanto, trouxeram a religião católica juntamente aos valores patriarcais que foram fortemente inseridos na sociedade brasileira. Contudo, a sociedade não consegue se desprender dessa influência histórica e, consequentemente, a cultura brasileira, em grande parte, ainda prega e acredita que o sexo feminino deve ser submisso ao sexo masculino. Dessa forma, os comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados e persistem até a atualidade.
Ademais, existe a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do gênero feminino. Dessa forma, muitas mulheres possuem dificuldade de se expressarem em relação à violência sofrida e, assim, preferem se calarem, para que não passem por eventos piores posteriormente. Além disso, segundo o Instituto Datafolha, em um ano, 1,6 milhão de mulheres são violentadas, sendo que apenas 330 mil destas mulheres levam seus casos à Polícia Federal decorrente da Lei Maria da Penha instaurada em 2006 na constituição brasileira. Por conseguinte, o número de casos de violência contra à mulher reportados às autoridades é baixíssimo e a violência persiste. Portanto, pode-se perceber que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que o Governo Federal juntamente à Secretaria da Mulher, desconstrua essa cultura do medo por meio de campanhas e projetos sociais que incentivem e auxiliem as mulheres violentadas a pedirem ajuda e a reportarem seus casos às autoridades, como exemplo, pode-se fazer uma campanha que retrate a morte de uma mulher por não ter recorrido a uma ajuda anteriormente. Para que assim, as mulheres que sofrem com a violência “Solte o grito preso na garganta” como na música de Kell Smith. Somente assim, a violência contra as mulheres brasileiras não será mais persistente.