ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 24/07/2020

Em Spider Men, Mary Jane é atacada por um grupo de homens que pretendia agredi-la moral e fisicamente em uma rua durante a noite; ela tenta se defender mas eles a deixam sem saída, porém, Peter Parker a salva. Assim como no filme, mulheres são agredidas todos os dias, com o diferencial da ausência de qualquer ato heroico que a proteja. A violência contra a mulher persiste pela impunidade dos crimes, fator relevante para o silêncio da vítima bem como a insistência do comportamento do agressor. Ainda, a estrutura social coopera com a problemática, haja vista que construiu um pensamento inflexível e preconceituoso, que enxerga a mulher como menos relevância.

Primeiramente, é importante analisar a história de um símbolo da questão, Maria da Penha. Em 1983, Maria é atingida por um tiro nas costas disparado pelo seu marido; tentou durante dezenove anos fazer com que o agressor recebesse a devida punição, quando, ao recorrer a Organização dos Estados Americanos conseguiu. Entretanto, muitas mulheres sofrem os mais diversos tipos de violência, não podendo lutar como a Maria da Penha. Assim, de nada adianta a disponibilização de ferramentas para denúncia se a lei não é colocada em prática; desse modo, os agressores persistem em seus comportamentos inconsequentes enquanto a vítima é silenciada pelo medo e pela incerteza.

Além disso, vale notar que tal problemática tem raízes. De acordo com a pesquisa nacional de saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2,4 milhões de mulheres são agredidas ao ano. Tal dado revela o resultado da sociedade que foi construída com um pensamento inferiorizado em relação a figura feminina, não necessariamente desprezada por completo, mas tratada como algo menos importante ou como alguém que apenas serve para suprir necessidades básicas do lar, sem capacidade para lidar com outras questões. Assim, o respeito e o tratamento tornam-se inferiores, dando margem a agressões e ao desrespeito.

Destarte, para que haja o fim da persistência da violência conta a mulher, o Poder Judiciário deve desenvolver um projeto que vise a propor a conscientização em relação a problemática, além do melhor atendimento dos casos denunciados, acelerando o processo dos julgamentos e das sentenças decretadas. A propagação do movimento de conscientização deve ser feita pelos meios de comunicação; ainda, deve haver disponibilização de mais atendentes nas fontes de denúncia, bem como de juízes e advogados para lidarem com as causas, que não podem exceder seis meses de espera. Dessa maneira, as mulheres serão mais e melhor atendidas, com a segurança de que não precisará esperar por quinze ou vinte anos nas mãos de um agressor.