ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 01/08/2020
O ‘‘Eudemonismo’’ é uma doutrina ética, proposta pelo filósofo grego Aristóteles, que afirma ser a felicidade a causa final dos atos humanos. No entanto, no Brasil, essa finalidade tem sido barrada devido à persistência da violência contra mulheres. Tal situação, deriva da perpetuação da cultura do estupro e é gerada, também, devido à baixa atuação do Estado na atenuação de tal ocorrência.
Em primeiro plano, é importante destacar que, a cultura do estupro, termo cunhado pelo movimento feminista em 1970, é algo normalizado na sociedade. De forma que, até mesmo comerciais objetifiquem as mulheres sexualmente e as tratem como objeto de satisfação masculina. Um exemplo disso, se concentra na propaganda da Itaipava, muito popularizada pelo jargão ‘‘Vai verão, vem verão’’, na qual privilegiava o corpo da atriz e o relacionava com o prazer que a cerveja trazia para o consumidor. Como consequência, tal normalização da objetificação da mulher, impede que vítimas de agressões denunciem os agressores, pois, acreditam ser ‘‘papel da mulher’’ aturar as atitudes violentas que, muitas vezes, são consideradas atitudes normais. Analogamente, a ideia de ‘‘Banalidade do mal’’, proposta pela filósofa alemã Hannah Arendt, afirma que, em sociedades massificada é comum a normalização de hábitos que normalmente não seriam normalizados, sejam banalizados e se torne ‘’normal’’, mesmo que ele não seja, assim como a violência contra a mulher.
Em segundo plano, é necessário destacar que, a persistência da violência contra a mulher, deriva da baixa atuação das autoridades para conter a problemática. Thomas Hobbes, em sua obra ‘‘Leviatã’’, declara ser dever do Estado garantir a harmônia social, já que, segundo ele, o homem é mal por natureza, e por isso, precisa que o Estado regule as relações humanas para inibir o estado natural.
Portanto, é mister que o Estado produza medidas que atenuem o avanço da adversidade no cenário brasileiro. Logo, o Ministério da Justiça, deve construir mais delegacias da mulher, por meio de capital fornecido pelo Tribunal de Contas da União, de forma que, vítimas de agressões sejam acolhidas pela justiça, com uma estrutura especializada para os casos. Assim, será possível reverter esse quadro negativo e atingir o Eudemonismo platônico: A felicidade.