ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 02/08/2020

O ‘‘Eudemonismo’’ é uma doutrina ética, proposta pelo filósofo grego Aristóteles, que afirma ser a felicidade a causa final dos atos humanos. No entanto, no Brasil, essa finalidade tem sido barrada devido à persistência da violência contra a mulher. Tal situação é fruto tanto da herança histórica machista, quanto da baixa atuação do Estado na atenuação de tal ocorrência.

Em primeiro plano, é importante destacar que o machismo no Brasil é presente desde o período Colonial, em que os maridos das mulheres tinham permissão de, até mesmo, matá-las. Atualmente, o cenário ainda permanece com algumas heranças coloniais machistas: cerca de setenta por cento das mulheres que denunciam, afirmam que os agressores eram companheiros delas. Ainda que, atualmente, existam leis que visam manter a segurança da mulher, como a Lei Maria da Penha, ainda há mulheres que não delatam o agressor por medo de sofrer repressão do mesmo.

Em segundo plano, é necessário destacar que a continuidade da violência contra a mulher, deriva, também, da baixa atuação das autoridades para conter a problemática. Pois, se houvesse uma estrutura que melhor acolhesse as vítimas que tem medo de delatar o agressor, seria possível aumentar o número de denúncias e assegurar uma vida munida de, pelo menos, segurança para as mulheres. Thomas Hobbes, em sua obra ‘‘Leviatã’’, declara ser dever do Estado garantir a harmônia social, já que, segundo ele, o homem é mal por natureza, e por isso, precisa que o Estado regule as relações humanas para inibir o seu estado natural.

Portanto, é mister que o Estado produza medidas que atenuem o avanço da adversidade no cenário brasileiro. Logo, o Ministério da Justiça, deve criar mais delegacias da mulher, por meio de capital fornecido pelo Tribunal de Contas da União, para que as vítimas se sinta acolhidas em um ambiente com a estrutura necessária para atender tal demanda. Assim, será possível reverter esse quadro negativo e atingir o Eudemonismo aristotélico: a felicidade.