ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 04/08/2020

A campanha Agosto Lilás visa informar a população acerca de um crime que ainda ocorre em altas proporções no Brasil: a violência contra a mulher. Fora do âmbito da tarefa conscientizadora, os ataques contra esse grupo permanecem constantes, com diversos casos de feminicídio. Questões públicas e culturais não aderem de forma ativa a esse trabalho social, uma vez que a justiça brasileira é lenta e a cultura do patriarcado ainda está presente para assegurar ao homem o poder de dominação sobre o sexo feminino.

Inicialmente, é importante destacar que a morosidade da justiça brasileira está diretamente atrelada à persistência da violência contra a mulher na sociedade. O Conselho Nacional de Justiça revelou que em 2017 apenas 5% dos processos contra esse crime tiveram algum tipo de progresso. Tal informação evidencia a lentidão com que o poder executivo trabalha, característica essa que é muito prejudicial para vítima, uma vez que a mesma permanece vulnerável a um novo ataque, que pode ser, desta vez, fatal. E, além de deixar esse grupo indefeso, essa ineficiência pública ainda serve como estímulo para agressores, já que os mesmos podem praticar seus atos sabendo que possivelmente ficarão impunes.     Por outro lado, mais um fator que também contribui de forma direta para a persistência da violência contra a mulher é a permanência da cultura do patriarcado na sociedade. Esse modo de viver que tem para a figura masculina um papel de liderança frente a todos da família é o que faz com que muitos homens achem que possuem o direito de interferir, quando necessário, na vida de uma mulher, seja na forma de agressão psicológica ou física. O conceito de Normose, fundamentado pelo escritor Roberto Crema, evidencia o que acontece nesse modo de regir o comportamento social, uma vez que condena atos considerados normais pelos cidadãos, mas que na verdade são patológicos para os mesmos. Tal cenário de dominação torna para as mulheres a própria casa um ambiente hostil, já que devido à construção histórica geral, o seu agressor acredita que possui o poder de decidir o futuro da sua vida.       Logo, torna-se evidente que é necessário combater a violência contra a mulher. Para isso ocorrer, é preciso que o Poder Executivo cumpra as leis criadas pelo Poder Legislativo, como a Lei Maria da Penha, por meio da criação de locais, por todo o Brasil, que julguem com rapidez os casos de ataques contra o sexo feminino. Isso será feito a fim de evitar que a impunidade contra agressores continue arriscando a vida dessas mulheres. Além disso, a escola deverá criar atividades com a finalidade de desconstruir o patriarcado na sociedade brasileira. Só com essas medidas, o que foi alertado pelo Agosto Lilás poderá, de fato, parar de acontecer no Brasil.