ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 22/08/2020
A igualdade entre os gêneros é ponto basilar para que vivamos em uma sociedade mais justa, fraterna e humana. Seguindo este pensamento, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já em seu primeiro artigo, explicita que todas as pessoas são iguais e devem gozar dos mesmo direitos contidos na Carta independente de quaisquer distinções que possam apresentar entre si. Entretanto, ainda é possível observar diversas formas de violência contra as mulheres na sociedade brasileira, sendo estas consequência da, além de outras motivos, falta de discussão de gênero no sistema de ensino e a persistência de modelos de masculinidade tóxica na sociedade. Dito isso, é inegável inferir que a violência contra a mulher no Brasil é um desafio persistente cuja a sociedade urge para que sejam criadas medidas efetivas para o seu enfrentamento.
Ainda que tenhamos presenciado mudanças expressivas no paradigma de relação entre homens e mulheres ao longo das últimas décadas, múltiplas formas de violência não desapareceram, mesmo que estejam talvez em menor grau que no passado. Tal persistência se deve, entre outras razões, a falta de discussão sobre a masculinidade, pois enquanto as mulheres refletem seus papéis sociais e buscam a alteração e igualdade dos mesmos para com os homens, estes pouco refletiram sobre seus papéis sociais e ainda seguem modelos pouco diferentes dos que eram seguidos por seus pais e avôs, modelos que entram em atrito direto com os novos papéis sociais e direitos conquistados pelas mulheres.
Além da persistência na sociedade de modelos tóxicos de masculinidade, o pouco debate sobre gênero nos anos escolares transfere os mesmos para as próximas gerações de meninos. Este importante debate não ocorre devido à forma como a sociedade foi apresentada a ele. Assim como a Revolta da vacina no início do século passado, a introdução da discussão de gênero não foi explicada como deveria para a sociedade, ficando à mercê de intermediários, que muitas vezes formam a opinião popular se baseando mais em questões morais do que em um debate racional e necessidades sociais.
Dito isso, urge-se que o debate sobre gênero seja adicionado ao currículo escolar de forma efetiva e perene. Além disso, e pensando nas gerações mais velhas, se faz necessário a apresentação e a discussão de modelos masculinos, mais condizentes com o século XXI, em mídias de entretenimento de massa, como novelas e filmes, abordando temas polêmicos como homossexualidade e drogas há anos. Tais mídias tem o poder de se transformar em motores primeiros para uma discussão social mais ampla sobre estes temas, trazendo mudanças sociais de longo prazo. Implantando medidas como estas poderemos chegar a sociedade mais justa e menos violenta para com as mulheres.