ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 28/08/2020

Na Grécia Antiga, Platão já apontava para a crença da inferioridade natural das mulheres. Tal ideia, solidificada durante os séculos, permanece na mente de grande parte da população até a atualidade, atuando como incentivo à violência contra pessoas do sexo feminino. Estas, por essa razão, não têm somente sua integridade violada, mas também sua vida. Esse cenário faz parte de várias realidades presentes no mundo, inclusive a brasileira, na qual a opressão ligada ao gênero ocorre em alta frequência. No país, tal questão é conservada por fatores históricos e ideológicos.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, ao longo do tempo, essa problemática se transformou em tradição, resistindo às pressões sociais que buscavam transformações. É por esse motivo que o pensamento de que o determinismo biológico reserva às mulheres a condição social de mães tem suportado tão fortemente os esforços feministas. Nesse contexto, muitas mulheres se veem submissas ao homem, sendo alvos de agressão quando não os obedecem. Segundo a Central de Atendimento à Mulher, mais de 80% das violências relatadas são físicas e/ou psicológicas, o que revela que além dos machucados, existe a coação moral, a qual representa a extensão do patriarcado durante a história.

Além disso, existem as ideologias que são difundidas nas coletividades. Apesar de conquistas importantes, como a recente criação da Lei Maria da Penha, que defende a mulher em casos de violência, e o aumento da participação feminina na vida universitária, política e laboral, ideias machistas ainda perduram no âmbito social. Observa-se, por conseguinte, que, apesar de concretos, tais acontecimentos não foram suficientes como um todo para instalar uma mudança social. Isso é decorrente do fato de que a ideologia é uma concepção coletiva que admite apenas seu próprio discurso como verdadeiro, influenciando populações e se consolidando na sociedade.

Percebe-se, dessa forma, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam o combate da violência contra a mulher. Portanto, medidas devem ser tomadas. É necessário que o Estado fortaleça o Poder Judiciário por meio de uma aplicação mais rígida das leis, na qual deve haver maior observação e proximidade com a população e os acontecimentos do cotidiano. Ademais, é preciso que as escolas e as famílias se unam na educação social, principalmente dos homens, recorrendo a exemplos e fatos reais acerca da violência, para que haja respeito a pessoas de todos os gêneros. Com essas ações, será possível a construção de um país mais igualitário e seguro.