ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 15/09/2020
A sociedade brasileira está fundamentada em um passado patriarcal, onde mulheres são estereotipadas, como “fútil e frágil” e posições de poder não lhes são reservadas. Embora as discussões sobre pautas que abrangem desde a independência até a igualdade feminina tenham ganhado evidencia nos últimos anos, infelizmente, a violência contra a mulher ainda persiste. Tal problemática, consagra-se tanto pelos comportamentos enraizados desde a infância nos homens quanto pela impunidade empregada comumente nos processos judiciais.
Desde a infância, meninos são ensinados a reprimir sentimentos e participam de jogos e brincadeiras que normalizam a agressividade. Além disso, famílias pregam aos homens a busca pela “mulher ideal”, a qual deve saber realizar todos o serviços domésticos, gerar filhos e fazer o que seu marido “pede”, com um belo sorriso no rosto. Dessa forma, há todo um processo que naturaliza tanto a inferiorização da mulher quanto os homens serem violentos com elas, tal que os incentivam primeiro com a expressão popular “coisa de menino” e depois com “coisa de homem”.
Somado a isso, as violências contra a mulher revelam-se de diferentes modos - como física, psicológica e sexual - onde, geralmente, o agressor é alguém do seu círculo de convívio, o que dificulta o ato de denunciar. Este, torna-se ainda mais complexo frente a impunidade recorrente em diversos processos que julgam violência contra a mulher. À exemplo, o jornal “O Globo” noticiou o caso em que André Aranha acusado de estuprar Mariana Ferrer foi absolvido no processo, mesmo havendo diversas provas, entre elas exames e vídeos. A impunidade desencoraja possíveis denúncias.
Portanto, nota-se que a persistência da violência contra a mulher deve-se por comportamentos de nossa sociedade - que devem ser repensados - e pelas dificuldades em denunciar. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Justiça fiscalize o desdobramento de processos sobre a violência contra a mulher, por meio da criação de um órgão específico. Essa medida implicará na diminuição de impunidades e em mais chances de denúncias, já que trará a segurança de que a justiça ampara as vítimas.