ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 16/09/2020

“Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Certamente, esse ditado popular brasileiro remete a forma com que a população lida com casos de violência contra a mulher. Nesse contexto, o que se observa é a deplorável persistência da violência doméstica , haja a vista que a sociedade é fruto de uma herança patriarcal que traduz a naturalidade com que as pessoas reagem à esses acontecimentos. Por esses motivos, torna-se pertinente a discussão acerca da violência contra a mulher no Brasil.

Nesse perspectiva, é necessário entender que o patriarcalismo presente na sociedade corrobora para o aumento ou conservação dessa violência, visto que estabelece um desequilíbrio de direito e deveres entre os sexos. Do mesmo modo, durante a Idade Média, predominavam-se valores étnicos cristãos e o ideal de guerra nos quais a mulher tinha seu papel baseado em estereótipos e presença restrita ao espaço doméstico, já ao homem, símbolo de virilidade e força, cabia-lhe as atividades relacionadas ao campo de batalha. Dessa maneira, de forma preocupante, instala-se um modelo de vínculo familiar patriarcal, fazendo com que casos de violência contra a mulher sejam recorrentes devido à clara submissão feminina na sociedade.

Por conseguinte, o que se espera, infelizmente, é a reação de imparcialidade da população, encarando a violência contra a mulher um fato costumeiro e natural. De forma similar, tais pensamentos podem ser extraídos da fala de Damares Regina, atual Ministra da Mulher: " O homem é o líder do casamento e a mulher é submissa a ele". Decerto, falas como essa demonstram o errôneo e catastrófico pensamento de que a esposa deve está subordinada ao marido, abrindo espaço para que a violência seja cometida contra ela. Logo, torna-se difícil a modificação desse condicionamento social em que as mulheres se encontram, visto que grande parte da população possui pensamentos conservadores como os da Ministra.

Fica claro, portanto, que existe uma permanência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Por isso, é necessário que a Delegacia Especializada de Atendimento à mulher promova um maior policiamento acerca dos casos de violência doméstica, por meio de programas que alertam a população sobre a importância da denúncia desses casos. Dessa forma, espera-se que as taxas de violência contra a mulher diminuam no Brasil e que a sociedade saiba que “em briga de marido e mulher, se meter a colher”.