ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 21/09/2020

Há cinco anos atrás foi prorrogada a chamada “Lei do Feminicídio”, uma norma que considera crime de feminicídio qualquer ato prejudicial provocado contra uma mulher, seja violência domestica ou discriminação. Nesse contexto, é evidente que, mesmo se tratando de um avanço no combate à violência contra mulheres, esse crime discriminatório ainda é recorrente no Brasil, sendo o mesmo o resultado de uma mentalidade misógina profundamente arraigada na sociedade brasileira.

Primeiramente, é preciso destacar que o Brasil é um país atrasado em questão de transformações sociais referentes às mulheres. Durante a Primeira República (1889-1930), por exemplo, mulheres eram proibidas, por lei, de trabalhar fora do ambiente domiciliar sem o consentimento do marido, o que delimitava suas liberdades perante a sociedade patriarcal vigente. E, embora houvessem mobilizações femininas contra essas normas, foi somente a partir de 1960 que movimentos feministas começaram a ganhar visibilidade. Esses fatos demonstram o quão recentes as mudanças sociais referentes às mulheres são, explicando a triste predominância de antigos, e violentos, costumes patriarcais na atualidade.

Ademais, é pertinente citar o papel da relação entre a escola e a família na desconstrução de comportamentos misóginos. É fato que o papel das instituições de ensino é, no âmbito da transformação social, problematizar e apresentar novos pontos de vista em questões que regem a sociedade. Sendo assim, ao se tratar da descriminação de gênero, é de extrema importância a integração familiar nesse ambiente, uma vez que, ao contrário de meios comunicativos como a mídia, as escolas têm o dever de oferecer ensinamentos desprovidos de preconceitos e estereótipos misóginos, capazes de educar e desencorajar atos agressivos contra mulheres.

Portanto, é necessário que esses costumes discriminatórios sejam desconstruídos. Cabe ao Governo Federal, por meio dos órgãos de Justiça, incrementar a Lei do Feminicídio, provendo a mesma com recursos que viabilizem uma maior atuação dentro do território brasileiro, bem como tornar o debate para o desencorajamento de atos violentos contra mulheres mais amplo, a fim de alcançar parcelas mais afastadas dos grandes centros urbanos. É oportuno, também, que a mídia substitua estereótipos misóginos por modelos femininos mais representativos. Dessa forma, o Brasil poderá triunfar com as transformações sociais do mundo atual.