ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 07/10/2020
Quebrando a quarta parede
A princípio, a trama do seriado nacional “coisa mais linda” parece simplória e superficial. Uma análise detalhada, porém, explicita denúncias à mentalidade sexista e violenta do Brasil do século XX. Infelizmente, as problemáticas abordadas no programa fictício são facilmente transpostas para a realidade do século XXI: com uma cultura machista e apassivadora, a sociedade brasileira dificulta o combate à violência contra a mulher no país.
Em primeira análise, pontua-se que a visão da inferioridade feminina é uma constante histórica no Brasil, além de que a conquista dos direitos da mulher é extremamente recente, resultando em claros empecilhos no enfrentamento do problema. Por muito, achava-se comum tratar mulheres como meras empregadas, não dignas de muita preocupação, ou mesmo de forma objetificada — o marido era seu “dono” e podia tratá-la como bem entendesse — um comportamento que foi passado ao longo de gerações. Foi apenas no “Estado Novo” que o movimento feminista se popularizou no país, na busca por melhores condições de vida, e apenas no ano de 2006 que mulheres tornaram-se legalmente resguardadas contra quaisquer tipos de abusos ou violências. Uma evolução decerto necessária, mas que aconteceu demasiadamente lenta.
Ademais, mesmo nos dias de hoje, em que a luta por direitos femininos é crescente e há preocupações evidentes com a questão, muitos líderes pecam em colocar projetos em prática, muitas vezes minimizando preocupações essenciais. Ao analisar pela ótica de Platão — fiel de que nunca existiria um Estado social ideal sem que “filósofos” fossem os “reis” — é preciso deixar o discurso teórico de que “tudo vai ficar bem”, e partir para ações de enfrentamento diretas. Reportagens do portal R7, de notícias, explicam as dificuldades encontradas por mulheres em situações de violência no tangente ao acesso a seus direitos básicos: delegacias fechadas, policiais que se recusam a fazer boletins de ocorrência, burocracia em excesso, entre outros que caminham na contramão do combate efetivo.
Observa-se, pois, a necessidade de modelos que combatam a mentalidade machista e a ineficácia de políticos e comunidades. Cabe ao governo federal, órgão responsável pela manutenção da nação, a criação de políticas cujas operações combatam preconceitos e estereótipos machistas, no intuito de mostrar ao povo que estes não passam de falácias. Também, membros da sociedade fartos contra essa injustiça devem se unir e cobrar seus governantes por atitudes que resolvam o problema a curto e longo prazo. Só assim, o Brasil se tornará realmente uma coisa mais linda.