ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 10/10/2020
É indiscutível que, diante das mazelas que assolam o século XXI, a persistência da violência contra a mulher representa ameaça ao princípio da isonomia, assegurado pela Constituição brasileira. Esse quadro está intrinsicamente ligado à realidade do país, seja pela cultura patriarcal secular no Brasil, seja pela diminuta aplicabilidade das leis. Nesse sentido, é essencial a análise do cenário, que oriundo de aspectos históricos e sociais, necessita de intervenção para atenuá-lo.
Em uma análise inicial, nota-se que a manutenção da sociedade patriarcal no Brasil dificulta a resolução da violência contra a mulher. Sob esse âmbito, o cenário perdura no século XXI decorrido da atribuição das mulheres em se submeterem ao sexo masculino. Dessa forma, contraria-se a posição de “Tornar-se mulher” da ativista Simone de Beauvoir, já que ainda se nasce com uma função social pré - determinada. Consequentemente, a cultura da submissão é reafirmada, a qual reflete o aumento de 230% no índice de feminicídio no país nos últimos 30 anos, segundo o Mapa da violência. Assim, é indiscutível o papel do patriarcado na manutenção da violência contra as mulheres.
Outrossim, observa-se que há punições judiciais para comportamentos violentos contra as mulheres, garantidas pelo Código Penal brasileiro. Entretanto, mesmo com a efetivação da Lei Maria da Penha, em 2006, o número de processos julgados no país não passa de 34%, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Assim, é indubitável que há pouca aplicabilidade do que assegura o Código penal. Esse cenário lamentável corrobora o termo “ilusão da contemporaneidade”, defendido pelo filósofo Jean Paul Sartre, já que a parcela feminina acredita usufruir da liberdade e segurança, sendo que essas não são, de fato, efetivadas.
Intervir nas necessidades da questão é, portanto, indispensável para promover as transformações sociais requeridas. Nesse contexto, é fundamental que as escolas, enquanto formadoras de opiniões, incluam o problema como tema transversal no currículo das séries iniciais e, por meio de seminários e projetos culturais, reforcem as discussões acerca da questão. Logo, com a finalidade de atenuar a cultura patriarcal enraizada no país e reforçar a alteridade entre as crianças. Somado a isso, o Governo federal, juntamente com suas secretarias, deve atuar aprimorando a fiscalização dos casos, por meio de delegacias especializadas nesse âmbito, bem como incentivar as denúncias encorajadas pela mídia, intermediada pelas propagandas. Assim, objetiva-se a minimização da problemática, por meio das punições devidas e estímulos às denúncias. Dessa forma, a somatória dessas ações atenuaria, portanto, a violência contra as mulheres no Brasil, bem como garantiria o direito à segurança e liberdade, que são indispensáveis em uma democracia civilizada.