ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 18/10/2020

Desde o desenvolvimento da história humana, o papel da mulher na sociedade sempre foi subjugado aos interesses e desejos masculinos. Embora tenha-se tentado, nas sociedades atuais, diminuir essas diferenças de gênero, o que se percebe é que elas aumentam a cada dia, principalmente a da violência contra o sexo feminino. Tendo em vista que a prática do machismo pode provocar certo tipo de repressão social ao sexo oposto, é imprescindível buscar alternativas para diminuir essa persistência à agressão no Brasil.

Em primeiro lugar, é relevante examinar como o senso exagerado de orgulho masculino sobre o sexo oposto contribui para fomentar a violência sobre o mesmo. Em consonância com a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente ao ser humano, de modo que os indivíduos deveriam ser habituados a convivência com diferentes percepções. Observa-se que, em analogia com o ideal da pensadora, a igualdade entre os gêneros deveria ser algo natural dentro da raça humana. Todavia, o que ocorre é justamente o oposto, em que um gênero se sobrepõe ao outro, levando à desigualdade entre as duas categorias. Esse cenário dificulta o exercício da convivência com diferença, conforme defendido por Arendt, o que reforça condutas autoritárias como a superioridade do homem em relação à mulher.

Por conseguinte, é possível notar como esse comportamento machista presente na sociedade brasileira favorece a rejeição social da figura feminina. Desse modo, constate-se que leis atuais como a Lei Maria da Penha e da Delegacia da Mulher são bastante ineficazes ao combate da repressão social sofrida pela mulher. Com isso, torna-se viável à parte dessa comunidade masculina que pratica esses delitos violentos o perpetuamento desses atos sem nenhuma penalidade. Verifica-se, assim, a possibilidade da progressividade do cenário atual, o que é muito lamentável.

Portanto, fica evidente a necessidade que tem o Estado de combater o machismo no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos fortalecer as legislações atuais, a fim de amenizar a desigualdade de gênero existente. Isso seria realizado por meio da reformulação das leis Maria da Penha e da Delegacia da Mulher, fazendo alterações na aplicabilidade da lei e de como são recebidas as denúncias, através da criação de unidades específicas espalhadas pelas cidades brasileiras, onde poderiam ser feito o atendimento das vítimas. Assim sendo, a humanidade poderia, de fato, desfrutar do rompimento do paradigma, do homem estar sempre acima da mulher, que a acompanha desde a história antiga.