ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 25/11/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal, garante que todos os cidadãos tenham direito à segurança e ao bem-estar. No entanto, problemas relacionados à persistência da violência contra a mulher tem feito com que uma parcela da sociedade não usufrua daquilo que lhe é concedido por lei. Nessa perspectiva, a fim de erradicar as agressões contra a classe feminina, cabe-se de antemão analisar suas raízes: ora na falha educação concedida pelo Governo brasileiro, ora no machismo estrutural.

Em primeira análise, é importante ter em conta que a educação é um dos principais pilares na construção de um país desenvolvido. Ainda mais, tendo em vista que o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, é de se pensar que o país possui um sistema de ensino eficiente. Contudo, o que acontece é justamente o oposto e a prova disso são os mais de 40.000 assassinatos de mulheres na última década, segundo o Mapa da Violência. Sendo assim, tendo em vista que, segundo a constituição, o Estado é responsável pela instrução de todos, um comportamento tão abrasivo da população, segundo os dados, revela uma falha na consolidação das políticas educacionais, o que corrobora para a continuação da violência contra a mulher.

Faz-se mister, ainda, salientar o machismo estrutural como impulsionador das agressões sofridas, ao longo do processo histórico, pela classe feminina. Dessa maneira, Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, aborda questões relacionadas à tempos passados que já se era observado o chamado “cordialismo”, comportamento ao qual o indivíduo tende a se auto-beneficiar. Sendo assim, os homens, em grande parte, tendem a ser autores de muitas violências cometidas, uma vez que eles se apoiam no machismo, que prega a superioridade do sexo masculino, em seu benefício. Prova disso, é a proporção de denúncias da infame violência contra as mulheres: 2.777 homens enquadrados na lei Maria da Penha, enquanto apenas 58 são mulheres, o que reafirma o machismo histórico.

Fica claro, portanto, que há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção um país onde não haja tamanha persistência na violência contra a mulher. Dessa forma, urge que, o Governo Federal, como instância máxima de administração do poder executivo, atue em favor da população, através da criação projetos escolares que ponham em pauta a discussão sobre a importância do respeito ao sexo feminino e à não agressão. Logo, um maior contingente poderá usufruir do seus direitos de segurança e bem-estar. Então, somente assim, através da educação, as raízes do machismo estrutural poderão acabar e as mulheres poderão gozar de uma vida digna.