ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 08/12/2020
Para o filósofo prussiano Immanuel Kant, imperativo categórico é o dever de toda pessoa agir conforme princípios dos quais considera que seriam benéficos caso fossem seguidos por todos os seres humanos. Entretanto, no Brasil, esse conceito não é colocado em prática tendo em vista que a violência contra a mulher ainda persiste na sociedade por vários fatores, entres o machismo e a impunidade. Desse modo, tal problema é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.
Primeiramente, é necessário destacar que a persistência da violência contra a mulher é fruto de uma cultura que ainda não respeita os direitos e os papeis da mulher na modernidade. Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, o indivíduo, através de mecanismos de repressão, é despido da sua personalidade real dando origem a uma personalidade que lhe é induzida socialmente. Dessa forma, como resultado de um pensamento machista, pessoas utilizam da violência, física ou psicológica, para exigir determinada conduta das mulheres. Tal opressão sugere a homogeneização do comportamento que vai contra à autonomia do indivíduo.
Ademais, há a relativização da gravidade do problema, em que a vítima, com seu “Eu Mortificado”, vê com naturalidade relacionamentos abusivos, essa normalização da violência gera, portanto, um baixo número de denúncias. Infelizmente, essa situação é consequência da inação governamental, visto que o Poder Público não pune, adequadamente, os agressores. Nesse contexto, Johann Goethe já afirmava que a maior necessidade de um Estado é a de governantes corajosos, e o pensamento do autor exemplifica bem a importância do Governo para a diminuição da impunidade.
Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação, em parceria com a mídia, na educação da população acerca da necessidade do posicionamento crítico quanto à violência contra a mulher. Isso deve ocorrer por meio da promoção de palestras, que, ao serem ministradas em escolas e universidades, orientem os brasileiros no entendimento do papel da mulher na sociedade, possibilitando a construção de um pensamento não discriminatório. Com a mudança da mentalidade social, as denúncias serão frequentes e a impunidade será combatida. Enfim, a sociedade brasileira colherá os frutos da Ética Kantiana.