ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 08/12/2020
A Constituição de 1988 assegura o acesso à segurança para qualquer cidadão. No entanto percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão da violência contra a mulher, o que, além de grave, torna-se um problema constitucional. Nesse contexto, esse tema possui como causas a má influência midiática e o silenciamento das vítimas.
Em primeiro plano, é preciso ressaltar para a má influência midiática presente na questão. Desse modo, conforme defende Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Dessa forma, esse comportamento é observado nas emissoras de televisão, que ao invés fazer debates construtivos sobre soluções para o fim das agressões físicas, oprimem o sexo feminino ao incentivar maus-tratos domésticos por meio de representações nas novelas, em que o homem sempre bate na mulher e ela o perdoa. Dessa maneira, contribuem para sua normalização na sociedade patriarcal presente.
Ademais, o silenciamento das vítimas ainda é um grande entrave para a resolução dessa problemática. A partir disso, de acordo com dados do “Mapa Da Violência”, o número de denúncias de agressões contra pessoas do sexo feminino aumentou nas últimas décadas. Sob essa ótica, pode-se inferir que essa subida não foi causada pelo aumento de casos, mas sim, pelo aumento de campanhas para encorajá-las a falar. Entretanto, isso ainda não é suficiente, já que ainda há muitas mulheres que sofrem caladas por diversos motivos (geralmente por causa dos filhos ou moradia) e não têm conhecimento dos programas sociais que podem ajudá-las nesse processo.
Portanto, deve-se buscar uma solução para o silenciamento e a má influência midiática presente nessa problemática. Para esse propósito, o Ministério da família, por meio de um projeto de lei aprovado na Câmara, deve criar uma lei que promova o aumento de campanhas contra a violência feminina e a fiscalização de ações que fomentem agressões nos meios televisivos. Ainda, essas publicidades passarão nos comerciais de todos os horários de forma obrigatória e falarão das normas vigentes para zelar a segurança da mulher. Além disso, os meios de comunicação serão coibidos de mostrar cenas de violência e terão que articular discussões acerca do assunto. Sendo assim, essas ações terão como efeito o fim do silenciamento das oprimidas, que passarão a saber das medidas existentes para sua proteção (e buscarão sua liberdade) e as mídias deixarão de satirizar o tema, começando a fazer conversas sérias sobre o problema em foco para a conscientização da sociedade.