ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 09/12/2020

Sem mobilização, sem progresso.

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os crescentes casos de violência contra a mulher na sociedade brasileira, percebe-se que esse ideal iluminista só se constata na teoria, haja vista que, tais praticas agressivas são resultados do patriarcalismo e do enfraquecimento das tentativas de intervenção.

Em uma primeira analise, o patriarcado - sistema social que mantêm os homens no poder primário - instalou-se no Brasil no período da colonização como modelo de herança de família, sendo bastante conservado até os dias atuais. No filme ‘‘O homem invisível’’, é evidenciado um relacionamento abusivo, em que enfatiza o incorporamento de poder do abusador às praticas de violência contra a mulher. Nesse sentido, o patriarcalismo contribui para os crescentes casos de abusos, autoritarismo e feminicídio.

Ademais, o livro ‘‘This Perfect Day’’ retrata uma sociedade livre de quaisquer conflitos, que usufruem da plena felicidade. Porém, mais uma vez, o final feliz só se concretiza na ficção, uma vez que, os casos de violência contra a mulher, aumentam a cada ano. Mesmo que, existam no Brasil a ‘‘Lei Maria da Penha’’ e a Delegacia da Mulher - órgãos de proteção à integridade e segurança da mulher - o enfraquecimento de tais ações se dá, principalmente, pelo medo e, posteriormente, pelo descumprimento das Leis públicas. Paralelo a isso, muitas mulheres temem o ato da denuncia, esse viés fortalece a cultura da agressão e, consequentemente, torna o agressor emponderado à burlar o sistema de lei.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de uma sociedade melhor. Destarte, cabe ao Poder Judiciário juntamente com as mídias sociais e as escolas, respectivamente, fazer valer as leis já existentes, através de discursos democráticos, atribuir e reforçar as propagandas de conscientização, que servirá para instruir o ato da denuncia e dissipar o temor e a insegurança, e, finalmente, às escolas, com a inclusão de matérias e materiais didáticos que abordem o tema, incentivando o combate e prevenindo futuras atuações. Espera-se com isso que, num futuro próximo, a violência contra a mulher se assole e que a sociedade, diante da mobilização, usufrua de todo o progresso do idealismo iluminista.