ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 17/12/2020

Simone de Beauvoir, filósofa francesa e nome importante do feminismo do século XX, já advertiu: não se nasce mulher, torna-se. Ou seja, não há nada na biologia feminina que determine sua inferioridade frente aos homens. Essa submissão, creditada pelo machismo e imposta socialmente às garotas desde  tenra infância, faz da mulher objeto, e por isso, alvo de inúmeras atrocidades, como a violência. Tal pensamento arcaico de que mulheres são posses de terceiros e não seres autônomos é decisivo para a existência dessa realidade. É preciso uma união ente mulheres cientes de seus direitos e uma socidade que preze pelo bem estar dos seus cidadãos para mudar o atual quadro brasileiro.

Ditados populares, como o famoso “em brirga de marido e mulher ninguém mete a colher”, demostram a falta de empatia em relação às mulheres que vivem em relacionamenos abusivos, tidos por muitos como fato normal. Não raro a violência chega a ser romantizada, principalmente em novelas: se bateu é porque ama. Todas essas alienação contribui para a existência de mulheres inseguras e assombradas, que não conseguem aproveitar plenamente sua liberdade com medo de represálias de um parceiro.

Ademais, além da violência física por partes de cônjugues, a muher é passível de outros tipos de violência no momento em que sai às ruas, haja vista a cultura do estupro e do assédio que vigora no país. Apesar de relatar o contexto de outra nação latino americana, Isabel Allende, em “A Casa dos Espíritos’’, demostra que, devido ao mesmo passado coonial, o Brasil assemelha-se bastante aos seus vizinhos, visto que o livro é um palco de variados casos de estupros ometidos por um patrão que pensa em ser dono de suas empregadas.

A violência contra a mulher persiste no país, portanto, devido ao sexismo e ao machismo de suas instituições. Para reverter essa cruel realidade, é possível que as universidades criem cursos de extensão junto às áreas de Psicologia, Serviço Social e Filosofia destinados à realização de palestras que versem sobre as consequências do feminicídio na sociedade. Também, cabe ao governo melhorar o serviço das delegacias destinadas à mulher, afim de que a vítima seja acolhida por profissionais preparados. Por fim,o movimento feminista, aliado à mídia, deve promover campanhas destinadas a empoderar cada vez mais mulheres, para que elas não sejam silenciadas como foram suas avós.