ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 31/12/2020
Olympe de Gouges foi uma mulher guilhotinada durante a Revolução Francesa, eternizada na história devido sua intensa luta pelos direitos das mulheres. Apesar de tal contribuição, pode-se afirmar que hodiernamente muda-se somente a ferramenta de opressão, da guilhotina para a repressão psicológica e falta de apoio social frente ao preconceito de gênero. Logo, é de suma importância destacar a ausência de políticas públicas efetivas e abordagem educacional da temática como propulsoras de uma sociedade marcada pelo sentimento de superioridade masculina, responsável pela persistência da violência contra a mulher no Brasil.
Em primeira instância, cabe salientar que a continuidade da violência simbólica contra a mulher afeta diretamente as posturas jurídicas. Segundo Pierre Bourdieu, a estrutura social possui influência da intrínseca impregnação do conceito de “Androcentrismo”, ou seja, priorização do homem em detrimento da figura feminina. Dessa forma, torna-se naturalizado a institucionalização do patriarcado tanto dentre a coletividade até mesmo nas instâncias governamentais, que por sua vez, precariza a defesa do corpo cidadão feminino por meio da ausência de leis e aplicação adequada dessas.
Paralelamente, há ainda a ocorrência da pouca informação da temática para fins de conscientização aos indivíduos, que torna o cenário passível à violência contra a mulher. Na série infanto-juvenil “Anne With E” é evidente a estranheza dos sujeitos, tanto adultos quanto os mais novos, quanto ao tamanho esclarecimento da jovem protagonista,tendo a noção real de seu papel dentre o meio a qual ela insere. Assim, é mister destacar a alusão ao corpo social brasileiro, que assim como na produção,há a condenação ao ser negada a soberania patriarcal, gerada pela persistência de uma óptica retrógrada. Logo, vê-se a consequência da carência de elucidação educativa, propulsora do deplorável aumento do número de casos de feminicídio e violência à mulher.
Portanto, é de suma importância a atuação do Governo Federal, na intensificação de ações já realizadas, como a ampla criação de Delegacias da Mulher, que atendem prioritariamente às vítimas,com especialização devida na área. Ademais, em junção à tal atitude deve ser realizados comícios comunitários, pelo Ministério da Educação, para a correta conscientização coletiva, com palestras e retratação clara do problema, com o fito de mudança de perspectiva dos sujeitos. Destarte,objetiva-se a interrupção do crescimento da taxa de agressão das cidadãs e harmonia social para com o acesso pleno ao direito básico da seguridade pela mulher brasileira.