ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 29/12/2020
Na música “Mulheres de Atenas”, Chico Buarque propõe uma crítica à violência imposta a mulher, por meio de sua objetificação e tratamento desigual, os quais são o fruto de uma cultura machista. Nesse sentido, no Brasil, o cenário críticado na composição faz jus a realidade, haja visto que, a injuria ao gênero feminino se estende desde a fisíca à simbólica, perpetuando tal mazela social e impedindo que a Declaração dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas, seja devidamente vivênciada. Sob tal ótica, tal realidade é o resultado do conformismo e da manipulação da infraestrutura social que perpetuam problemáticas e impedem o progresso da sociedade.
Em primeira análise, o conformismo com a violência à mulher transforma inúmeras mulheres em vítimas de estrupos, assédios e mortes. Sob este viés, segundo a Constituição de 1988, o Estado tem o dever de propor ao cidadão uma vida digna e meios para garantir a sua coesão a sociedade. Contudo, tal situação não é vivenciada, uma vez que, a sociedade com o intuito de manter a tradição machista -na qual torna o homem uma espécie de dono da mulher objetificando-a -, impõe à mulher barreiras para que esta alcance a igualdade, evidenciado na omissão de vizinhos de vítimas de violência domêstica ou na discrepância salarial, ainda que em muitos casos, elas possuam uma jornada dupla ao cuidar de seus filhos em casa. Por conseguinte, a perpetuação da tradição resulta, além da infração a lei, que o Brasil seja o quinto país no ranking feminícidio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas.
Ademais, tais práticas não nascem com o indivíduo, mas são impostas a ele. De acordo, com a premissa de Hannah Arendt em a Banalidade do Mal, os indivíduos são manipulados por terceiros, a fim de que pratiquem ações que não condizem com o seu caráter. Assim, vale ressaltar que a educação machista que é imposta devido ao baixo fomento do Estado nas escolas, que não incentivam adequadamente as crianças a pensar de forma empatica, e desenvolver o senso critíco. Logo, os indivíduos crescem possuindo a crença a qual a mulher deve ser subordinada ao homem e não uma igual como é evidenciado em ditos populares que o uso de roupas curtas seria um suposto convite.
Torna-se evidente, portanto, que medidas para garantir a emancipação feminina devem ser tomadas. Desse modo, urge ao Ministério da Cidadania, como gestor do convívio social e fomentor de melhorias neste setor, a atuação através do financiamento de aulas e palestras nas escolas com professores de sociologia e ética, para garantir o desenvolvimento adequado do senso crítico e social. Bem como, o acordo com empresas para que possuam uma supervisora com o fim de garantir melhorias e a igualdade salárial, desta forma, a emancipação das mulheres poderá se tornar uma realidade. Feito isso, será empulsionada a evolução da social, cumprindo a lei e divergindo do cenário da música.