ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 02/01/2021
Olympe de Gouges foi uma mulher guilhotinada durante a Revolução Francesa que eternizou-se na história devido à sua intensa luta pelos direitos das mulheres. Apesar de tal contribuição, pode-se afirmar que hodiernamente muda-se somente a ferramenta de opressão, da guilhotina para a repressão psicológica e falta de apoio social frente ao preconceito de gênero. Logo, é de suma importância destacar a ausência de políticas públicas efetivas e abordagem educacional da temática como propulsoras de uma sociedade marcada pelo sentimento de superioridade masculina, responsável pela persistência da violência contra a mulher no Brasil.
Em primeira instância, cabe salientar que a continuidade da violência simbólica contra a mulher afeta diretamente as posturas jurídicas. Segundo Pierre Bourdieu, a estrutura social possui influência da intrínseca impregnação do conceito de “Androcentrismo”, ou seja, priorização do homem em detrimento da figura feminina.Nesse contexto, é nítido que tal institucionalização chega até às instâncias governamentais, que por sua vez, precariza a defesa do corpo cidadão feminino por meio da negligência na criação e aplicação de leis adequadas.
Paralelamente, há ainda a ausência de debates com o intuito de valorização feminina por instituições educacionais, que torna o cenário passível à violência contra a mulher. Na série infanto-juvenil “Anne With E” é evidente a vigência de uma óptica retrógrada marcada pela soberania patriarcal. Em contraponto, tem-se o pensamento da protagonista, esclarecida de seu papel social enquanto mulher, gerado pelo acesso ao conhecimento da sociedade na qual ela insere. Logo, vê-se a importância da elucidação educativa como agente do combate ao deplorável aumento do número de casos de feminicídio e violência à mulher.
Portanto, diante do que foi analisado, medidas devem ser tomadas para a interrupção dessa realidade. Assim, é de suma importância a atuação do Governo Federal, na intensificação de ações já realizadas, como a ampla criação de Delegacias da Mulher, que atendem prioritariamente às vítimas,com especialização devida na área. Ademais, em junção à tal atitude deve ser realizados comícios comunitários, pelo Ministério da Educação, para a correta conscientização coletiva, com palestras e retratação clara do problema, com o fito de mudança de perspectiva dos sujeitos. Destarte,objetiva-se a interrupção do crescimento da taxa de agressão das cidadãs e harmonia social para com o acesso pleno ao direito básico da seguridade pela mulher brasileira.