ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 10/01/2021

Desde o movimento sufragista, que buscava conquistar o direito de voto às mulheres, elas têm ganhado cada vez mais espaço no campo político e econômico. Entretanto, apesar desses avanços, ainda existem desigualdades prementes ao se comparar os dois sexos, fato que é exacerbado ao se observar a persistência da violência contra a mulher. Nesse contexto, destacam-se dois fatores que contribuem para intensificar essa adversidade, a constante dos papéis impostos pela sociedade às mulheres, assim como agravantes de caráter racial.

Em primeiro lugar, é necessário destacar a origem social da estigmatização do sexo feminino na contemporaneidade. Foi Simone de Beauvoir, figura essencial no nascimento do feminismo, uma das principais autoras a questionar esse quadro. No livro “O Segundo Sexo”, a autora defendia que gênero é uma construção social, criado pra oprimir a mulher. Esta perspectiva se encontra necessária até hoje, na medida em que ainda são instituídas condutas sociais às mulheres que as mantém sob um caráter subserviente em relação ao homem, o que oportuniza a violência contra o sexo feminino.

Ademais, deve-se salientar que essas inequidades são ainda mais graves em relação às mulheres negras. Segundo a autora Angela Davis, no livro “Mulheres, Raça e Classe”, a herança racial da escravidão tem consequências urgentes na atualidade, posto que é um determinante que limita a mulher negra de conquistar espaços de poder na sociedade. Tal cenário pode ser comprovado na contemporaneidade, dado que, segundo o IBGE, mais de 70% dos casos de violência contra o sexo feminino, são de mulheres negras. Logo, é palpável o papel de vulnerabilidade que esta categoria ocupa na população.

Portanto, é tangível a relevância do gênero e suas atribuições sociais no aviltamento de direitos que as mulheres sofrem. Dessa forma, urge que o Ministério da Justiça e Segurança, por meio de investimentos públicos, realize uma política de combate a violência doméstica, elencando maiores recursos à Delegacia da Mulher e projetando novas repetições em áreas de maior fragilidade econômica, com o fim de mitigar a agressão contra este grupo. Feito isso, será possível suprimir as injustiças encontradas no panorama presente, visando um futuro mais igualitário como aquele que as Sufragistas lutavam para conquistar.