ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 31/01/2021
O patriarcado, nas teorias feministas, é um sistema sociopolítico que coloca os homens em uma posição de poder primário, em diversas funções, como na política, autoridade moral, privilégio social e na família. Esse é um sistema centenário, que ganhou força e foi consolidado, com a ascensão da Igreja Católica e o desenvolvimento da sociedade ocidental. A violência contra a mulher está diretamente ligada à estrutura patriarcal da sociedade.
Em primeira instância, é necessário discutir sobre o machismo. Esse tipo de preconceito é ensinado de maneira direta ou indireta, para homens e mulheres, independente de sua cultura, por fazer parte do mecanismo da estrutura patriarcal. O juízo da inferioridade das mulheres se dá pela propagação de um ideal da “mulher perfeita”, e de que, quando não enquadrada no mesmo, é ainda mais desvalorizada e deplorável. Logo, falas e atitudes, como por exemplo, dizer que uma mulher não pode trabalhar como policial, ou que ela não pode se vestir, falar ou agir de certa maneira, são algumas representações cotidianas do machismo estrutural. Certamente, esse tipo de negação da capacidade igualitária feminina fere milhares de mulheres ao redor do mundo de maneira social e cultural. De acordo com o Art. 5 da Constituição Brasileira, todos são iguais perante a lei, porém, não é a realidade. A filósofa Rosa Luxemburgo diz “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”
Ademais, a naturalização do machismo e da misoginia, que é o ódio contra mulheres, está espalhado em diversas áreas da sociedade e enfatizam a violência. A “Cultura do Estupro” é o termo que descreve um ambiente no qual a violência sexual contra mulheres é normalizada na mídia e na cultura popular. Um exemplo é a enorme e poderosa mídia pornográfica, que lucra milhões com a dor de muitas mulheres. A minimização dessa problemática é a causa das agressões contra mulheres que ocorrem a cada dois minutos no Brasil. A violência doméstica também pode ser psicológica, patrimonial, sexual, e na grande maioria dos casos, gera o feminicídio. A silenciação e os poucos recursos doados às vítimas tornam o país, o quinto mais violento no mundo, para mulheres viverem.
Portanto, compete ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promover a discussão da toxicidade do machismo para todos, assim como promover medidas protetivas mais eficazes. Essas ações devem ser feitas por meio de propagandas midiáticas e revisão das leis de proteção da mulher, uma vez que é necessário mudar de maneira drástica, essa sociedade patriarcal, com o objetivo de gerar uma sociedade mais justa, segura e igualitária.