ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 03/02/2021

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, houve mais de 1300 feminicídios em 2019 no Brasil. Desse modo, nota-se como a violência contra a mulher persiste na sociedade brasileira, por meio de agressões físicas e verbais, culminando, no caso extremo, no homicídio. Assim, faz-se imprescindível um debate crítico sobre as causas dessa violência, bem como sobre a impunidade dos agressores.

Inicialmente, muitas são as aparentes origens da violência contra a mulher: ciúmes, alcoolismo, questões financeiras, etc. Porém, todas elas são apenas expressões do machismo e da misoginia presentes no país. Nesse sentido, 1/3 dos brasileiros acreditam que a culpa por estupros é da mulher, segundo pesquisa do DataFolha de 2016, o que demonstra o atraso civilizatório no Brasil que motiva assédios, importunações sexuais, violência e mortes.

Adicionalmente, menciona-se que muitos dos crimes contra o grupo feminino permanecem impunes, o que incentiva agressores a continuar ameaçando, agredindo e violentando mulheres. Sob esse prisma, estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 52% das vítimas de violência doméstica não tomaram nenhuma atitude contra o ofensor. Isso se dá por medo de represálias, pela falta de confiança na justiça, por dependência econômica e psicológica, pela falta de estrutura de apoio, entre outros motivos, e é um sintoma de que a cultura da masculinidade tóxica faz com que as vítimas muitas vezes se sintam culpadas e responsáveis pelos abusos sofridos.

Diante do exposto, nota-se que a violência contra as mulheres é uma mazela social constante na nação. Portanto, para reduzi-la, é imperativo que o poder público atue preventivamente, por meio de campanhas educacionais, com o objetivo de reformar a consciência coletiva que culpa a mulher e não o agressor. Além disso, é fundamental que o Poder Judiciário, o Ministério Público, as polícias e os serviços de saúde formem um rede de proteção efetiva, que seja capaz de resguardar as vítimas, permitindo um ambiente seguro que incentive as denúncias e a persecução penal dos ofensores. Destarte, construir-se-à uma sociedade mais equânime, justa e segura, pautada no respeito à vida e à integridade física das mulheres.