ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 06/03/2021

Maria da Penha é uma farmacêutica brasileira que foi humilhada e agredida fisicamente por seu parceiro afetivo. Nesse contexto, ela deu nome à lei instaurada em 2006, cujo conteúdo diz respeito à condenação de atos de ódio -físicos e mentais- praticados contra o sexo femino. Assim, percebe-se que a violência contra a mulher na sociedade canarinha não é um problema atual, mas em voga desde tempos remotos. Essa persistência se dá pelo medo de reações do agressor caso ocorram denúncias, bem como pela descrença social nas falas de mulheres.

Em primeiro plano, ao violentar o corpo e a mente de sua parceira, o criminoso também verbaliza ameaças caso delações sejam feitas contra ele, de modo que impede, por meio do medo, a concretização de tais atos. Logo, por precaução da própria vida, a sofredora é coagida a permanecer na situação em que se encontra, sendo humilhada constantemente. Dessa maneira, um cenário semelhante é retratado na série “Bom dia, Verônica”, em que a nordestina Janete vive com um violentador de mulheres -seu esposo- e não consegue pedir socorro, pois ele controla todas as ações da cônjuge, de modo a observá-la por câmeras. Há, destarte, uma dificuldade em identificar casos de abuso feminino na sociedade, pois as vítimas são forçadas a se calarem.

Em segundo lugar, a voz da mulher sempre foi descredibilizada e inferiorizada na esfera social. Isso promove uma descrença comum na figura feminina e a imposição de culpa a ela quando decide denunciar seu abuso. Nesse panorama, a sociedade busca aplicar a responsabilidade em suas roupas e modos de se portar, ou seja, aplicam-se desculpas para ignorar o ultraje, silenciando as sofredoras. Exemplo dessa atitude é o julgamento da catarinense Mariana Ferrer, jovem estuprada e que, em seu julgamento ocorrido em 2020, foi desacreditada por todos os homens presentes na audiência, inclusive pelo juiz, segundo o portal G1.

Portanto, a persistência da violência contra a mulher é um grave impasse para o país e tem como barreiras o descrédito comum e o medo de intimidações. Para que as mulheres agredidas possuam mais confiança e espaço na comunidade a fim de relatarem seus abusos, devem ser feitas, pelo Ministério da Cultura, junto com o Ministério da Mulher, por meio de documentários, campanhas que se pautem em como as figuras violentadas necessitam de apoio. Também, informar-se-á modos de a vítima denunciar seu sofrimento e como sua segurança será resguardada pelo Estado. Esses documentários, que passarão em rede nacional, deverão mobilizar a sociedade com casos já registrados de mulheres que, a exemplo de Maria da Penha, conseguiram se livrar de um algoz em suas vidas. Somente assim, a mulher, no contexto tupiniquim, terá espaço e segurança.