ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 08/03/2021

A música “De Frente Pro Crime”, de João Bosco, retrata uma cena de violência e da indiferença que  a tragédia provoca nos indivíduos que a presenciam. Nessa perspectiva, o assédio sexual pode ser relacionado com  contexto da música, pois a conduta abusiva, em alguns casos, não tem a sua devida visibilidade e, sobretudo, punição, isto é, gerando transtornos para as mulheres que padecem com essa mazela. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e desleixo que acarretam para tal persistência.

Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa área. De acordo com a Constituição Federal de 1988, garante que todos os indivíduos tenham direito a uma segurança de qualidade, em contrapartida, o Estado não efetiva tal princípio, uma vez que as mulheres ainda hoje são alvos de violência e, por tabela, a presença de uma cultura de valorização do sexo masculino, haja vista que a lentidão e a burocracia do sistema punitivo colaboram para a permanência de inúmeras formas de agressão e com o “relaxamento” dos homens diante dessa agrura, como o portal de notícias “Terra” aponta que, entre 2006 e 2011 teve apenas 33,4% dos casos julgados por essa mazela. Logo, mostra-se um Governo ineficiente nessas conjunturas.

Por sua vez, outro vetor é o papel apático do olhar coletivo nessa temática. Na ótica de Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois, a ausência de respeito com as mulheres, as constantes agressões e, por extensão, o absentismo de empatia e de visibilidade são empecilhos para essa insistência, fruto de uma cultura de predileção pelo homem. Dessa forma, é fulcral que a coletividade abdique da atuação de inércia, com o fito de haver melhorias.

Infere-se, portanto que, nessa problemática, o Estado deve intensificar sua ação contra essa esfera, por meio de punições mais eficazes, rápidas e, sobretudo, ampliando as leis de proteção para as mulheres, a fim de barrar o percurso de todo o caos. Ademais, a sociedade precisa tonificar a tarefa de discussão acerca dessa temática, por intermédio de palestras educativas e documentários inseridos nessa causa, com o intuito de fomentar a consciência coletiva. Com isso, para que a música de João Bosco deixe de ser uma realidade brasileira.