ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 10/03/2021
A quarentena da Covid-19 restringiu a circulação de pessoas pelo Terra e estreitou as relações familiares, aumentando o tempo de convívio entre cônjuges. Todavia, é visto que, em vez do crescimeno de afetos, a reclusão aumentou os números de violência contra o gênero feminino. Nesse sentido, é inadmissível, em pleno século XXI, com tantas reinvidicações e lutas femininas por direitos e igualdades, ainda haver ataques à mulher. Logo, é lícita a discussão de dois obstáculos: a misoginia e a ausência de medidas mais seguras para a mulher recorrer enquanto invoca a lei.
Em primeiro plano, é pertinente pontuar que a “Lei Maria da Penha” visa proteger a mulher de violência. Contudo, dados da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais afirmam que, todos os dias, 13 mulheres são assassinadas no Brasil, demonstrando a misoginia presente na sociedade. Isso ocorre devido a uma parcela machista, que sente-se “ameaçada” pela independência da mulher contemporânea e reflete suas frustações em atos bárbaros. Entretanto, de acordo com Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota. Nessa lógica, é visível uma omissão por parte do governo para com a efetivação do poder executivo na proteção dos direitos femininos, como a igualdade de todos perante a lei, conforme a Constituição Federal de 1988. Logo, atos são necessários para a prevenção de atentados e extinção do receio de denúncias pelo medo de retaliação.
Em segundo plano, ainda há pouca legitimidade da lei em garantir aos educadores liberdade em debates sobre a igualdade de gênero. Consoante à revista Veja, o trabalho educativo escolar sobre sexualidade e gênero, pode diminuir a ocorrência de violências domésticas futuras. Nessa sequência, a educação sobre o assunto desde o início letivo promove crianças bem instruídas e menos agressivas. Por esse ângulo, de acordo com Paulo Freire, a leitura do mundo precede a leitura da palavra; inclusive, estudantes precisam conhecer mais sobre as lutas históricas e resiliência que a mulher precisou ter para alcançar todos seus direitos. Por consequência, a necessidade de educação nas escolas sobre o respeito à mulher é indispensável.
Dessa forma, o Ministério da Educação, por meio de projetos nas escolas, deve fornecer campanhas que conscientizem familias sobre a importância do respeito à mulher, de forma a educar as futuras gerações sobre o valor de atitudes cuidadosas e valorização àqueles que se identifiquem com o sexo feminino. Isso possibilitará o desenvolvimento de discentes moldados no respeito e na conscientização. Além disso, o Estado, por meio de investimentos, deve aumentar os números de casas de apoio, onde as vítimas possam permanecer até a segurança pública garantir que o agressor não poderá mais provocar riscos. Isso causará menor chance do criminoso tentar atacar e maior proteção à mulher.