ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 20/04/2021
Brasil, desordem e regresso
A clássica animação “A Noiva Cadáver” denuncia um caso de feminicídio, em que a vítima, Emily, foi morta pelo seu próprio parceiro. Transpondo-se o conteúdo ficcional, infelizmente, a violência física e, também, psicológica ainda persistem contra indivíduos do sexo feminino no Brasil. Logo, faz-se necessário analisar e mitigar como causas desse descalabro social, com o fito de restituir a ordem e atingir o progresso da nação ao torná-la mais democrática para essas cidadãs.
Nesse contexto, a agressão física é o principal imbróglio a ser superado, pois esse sucede com maior recorrência na sociedade. Conforme os dados publicados pela Central de Atendimento à Mulher, mais da metade das mulheres sofrem com a ação brutal por parte dos homens. Dessa maneira, isso contraria a proposição do ilustríssimo filósofo iluminista John Locke, ao defender a vida e a segurança pessoal como direitos naturais e inalienáveis. Portanto, mesmo com a existência de leis asseguradoras dos privilégios inatos ao ser humano, na prática, a insuficiência das mesmas são explicitadas no cotidiano das pessoas que padecem com essa problemática, por isso, a inércia estatal é um agravante.
Além disso, as ameaças e discursos depreciativos proferidos pelo agressor verbal podem acarretar danos severos à vítima e fomentar outros tipos de violência. De acordo com o excelentíssimo sociólogo francês Pierre Bordieu, em seu conceito sobre “Violência Simbólica” é abordado uma forma de opressão sem coação física e que causa degeneração psicológica. Destarte, a ausência de apoio e atenção dada a essa situação permite o desenvolvimento desse câncer social, principalmente, dentro dos domicílios onde as mulheres são caladas e a covardia é acobertada. Assim sendo, é imprescindível cortar as raízes e exterminar esse caos que representa uma ofensa à moral e à dignidade humana para impedir a metástase do terror psicológico em diversas formas de brutalidade.
Em síntese, a emergência em impugnar os conflitos supracitados requer prioridades do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, concomitantemente com as Organizações Não Governamentais (ONGs) com fins de estagnação no avanço de atitudes descontroladas de força brutal. Urge providenciar um sistema de recompensa para os vizinhos que denunciarem os atos violentos ou marcas visíveis e assíduas no corpo da vítima, deve ser oferecido, por exemplo, descontos em cinemas ou promoções, assim como é feito nas campanhas de doação de sangue. É indispensável que as ONGs realizem palestras em locais públicos, por meio de praças e quiosques, para proporcionar auxílio emocional e educar sobre o quão substancial é delatar as intimidações e não inferiorizar-se diante de alegações insultuosas, e, somente assim, a história de Emily não será mais vivenciada.