ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 21/04/2021
Consoante à filosofa alemã Hannah Arendt - com a teoria da “Banalidade do Mal” - a sociedade tornou-se insensível a notícias de atos desumanos e possui a percepção de que a crueldade é comum e insignificante. Analogamente, no Brasil, há a persistência da violência contra a mulher, haja vista que o país registra, cada vez mais, o aumento do número de casos de agressões verbais, físicas e psicológicas, ocasionando consequências como a opressão das reivindicações femininas, bem como danos mentais e corporais. Nesse viés, não somente a permanência do sistema patriarcal autoritário, como também a falta de punição aos criminosos auxiliam na perpetuação da problemática.
A priori, o filme britânico “Radioactive” relata a biografia de Marie Curie, uma grande personagem da história da química do século XIX, e retrata como as conquistas e opiniões femininas eram ignoradas pela sociedade, principalmente científica, sendo, assim, a cientista só teve seu devido reconhecimento, pois o marido - Pierre Curie - também era um estudioso. Similarmente, na sociedade brasileira, a manutenção do sistema patriarcal causa desrespeito às exigências de direitos igualitários, uma vez que há a opressão e negligência às reinvidicações, bem como às inúmeras violências contra a mulher, como físicas e verbais. Desse modo, ocorre a conservação da passividade e submissão desse grupo nas gerações futuras, sem os ensinamentos de que meninas podem conquistar tudo o que quiserem e não devem denunciar qualquer tipo agressão.
A posteriori, na música “Maria da Vila Matilde”, da compositora Elza Soares, é relatada a história de uma moça a qual sofre agressões físicas e psicológicas do companheiro e mostra a denuncia e a punição dele. Entretanto, no Brasil, ainda ocorre a insuficiência de castigo, com a ausência de privação de liberdade aos criminosos, haja vista que há a demora e a burocracia para que alguma ação seja feita para proteger o bem estar da mulher. Dessa maneira, a queixa aos órgãos de segurança pública transforma-se ineficiente para garantir e preservar a qualidade de vida feminina, com auxílio médico psicológico para a restruturação desse indivíduo para reingressar à sociedade.
Por conseguinte, a violência contra a mulher é um problema no Brasil. Sendo, assim, o Estado, em ação conjunta às instituições públicas de segurança, deve direcionar maiores investimentos em fiscalização e punição de criminosos no território nacional, bem como as grandes empresas de comunicação deve criar obras e programas de incentivo a denuncia, mostrando às pessoas que é preciso haver a denuncia e que a agressão não é normal e precisa ser combatida. Visando assim, a diminuição de casos de feminicidio - morte feminina causada por homens - e a ruptura da permanência dessa crueldade.