ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 26/04/2021

“Toda ação gera uma reação”. Essa máxima do físico Isaac Newton pode ser relacionada à questão da persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Afinal, é devido a fatores, como a cultura machista e o pensamento de superioridade masculina que essa problemática persiste no meio social. No processo de formação da sociedade brasileira, é notório o quanto a violência contra a mulher sempre esteve presente, já que o sentimento de superioridade masculina age em detrimento do bem-estar feminino desde outrora.

No processo de formação da sociedade brasileira, é notório o quanto a violência contra a mulher sempre esteve presente, já que o sentimento de superioridade masculina age em detrimento do bem-estar feminino desde outrora. Essa análise é ratificada através da chegada de colonos portugueses ao Brasil no século XVI e suas inúmeras práticas violentas contra mulheres indígenas. Outro motivo que explica tal contexto é a existência de uma cultura machista que permeia a sociedade desde os primórdios e, por isso, passou a ser tratada como natural. Tal situação pode ser associada aos princípios da filósofa Hannah Arendt acerca da banalização do mal, os quais afirmam que as pessoas fazem o mal sem saber que o praticam e dessa forma compactuam para a manutenção da discriminação social.

Ademais, nota-se que a violência contra a mulher também se esclarece pelo fato das leis de antigamente não favoreciam a segurança da vida feminina e, devido a isso, entraves são gerados ainda hoje, como, por exemplo, disso, as ordenações filipinas, código de leis que permitiu a prática de agressões físicas contra mulheres adúlteras no século XVII. Outrossim, observa-se que essa problemática se justifica pelo sentimento de competitividade inerente à humanidade a qual intensifica a violência contra a mulher.Tal análise do comportamento humano pode ser associada ao pensamento do filósofo contratualista Thomas Hobbes, o qual declarou que “o homem é o lobo do próprio homem”, evidenciando o quanto a sociedade é capaz de gerar malefícios para ela mesma, prejudicando assim o gênero feminino.

Portanto, é cognoscível que a problemática da violência contra a parcela feminina da população brasileira ainda perdura e precisa ser interrompida. Logo, é fulcral que o Estado, agente garantidor do bem-estar social, em conjunto com o poder legislativo, amplie e garanta a eficácia da Lei Maria da Penha através da implementação da obrigatoriedade de boletins de ocorrência em caso de violência doméstica, a fim de interromper esse ciclo de violência. Dessa forma, seguindo a lógica de Newton, é com ações que busquem diminuir a incidência desta problemática que reações benéficas existirão.