ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 28/04/2021
Na obra " Quarto de despejo" de Carolina de Jesus, a autora relata as frequentes fugas de mulheres de suas residências na favela na tentativa de escaparem dos seus agressores, os quais se tratavam, majoritariamente, do companheiro da vítima. Apesar do livro ter sido escrito na década de 1950, essa infeliz realidade ainda permanece no Brasil e, miseravelmente, continua ceifando a vida de muitas cidadãs. Sob esse aspecto, convém analisar a principal causa dessa persistência da violência contra o gênero feminino na sociedade brasileira, além de evidenciar a consequência advinda dessa problemática.
Em primeiro lugar, faz-se necessário apontar que a perpetuação da cultura de violência contra a mulher é resultado de uma histórica discriminação e inferiorização desse gênero no Brasil. Essa realidade pode ser exemplificada na proibição do voto feminino até o Governo Provisório de Vargas, decisão que era pautada no discurso errôneo de que as mulheres não possuiam inteligência suficiente para exercer um ato tão importante. Nesse sentido, deve-se perceber que esse costume de marginalizar essa parcela da população foi e é essencial para a legitimação e permanência dos atos de agressão contra ela no país. Desse modo, deve-se perceber o caráter nocivo de um governo dito democrático que permite a continualidade dessa mentalidade arcaica e maléfica em seu território.
Em decorrência disso, é preciso notar que o crescente número de feminicídios e a normalização desse ato brutal se configuram consequências resultantes da permanência da violência contra o gênero feminino no território brasileiro. Segundo o Portal de notícias G1, os casos de assassinatos de pessoas devido ao fato de serem mulheres aumentaram durante a pandemia do novo coronavírus, destacando a realidade de que essa prática se encontra banalizada na sociedade. Diante desse cenário, é urgente apontar o prejuízo gerado por essa cultura de agressão contra essa fração da população ao entorpecer os cidadãos frente a um crime tão grave. Dessa maneira, deve-se perceber a situação inadmissível de uma nação signatária da Declaração Universal dos Direitos Humanos que negligência a minimização e crescimento do feminicídio na soceidade.
Pode-se destacar, portanto, que a persistência da violência contra a mulher no Brasil se trata de um fato grave que deve ser combatido. Uma das raízes dessa cultura se encontra na frequente e histórica inferiorização do gênero feminino no país. Tal cenário resulta no aumento de casos de assassinatos dessa população e a nociva normalização destes. Espera-se, dessa forma, que essa realidade seja alterada e que o relato de Carolina de Jesus se torne impensável na atualidade.