ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 07/05/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto no livro “o triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica marcante um nacionalismo ufanista acreditando em um Brasil utópico. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do imaginado pelo personagem, uma vez que a persistência da violência contra a mulher apresenta barreiras as quais dificultam a concretização dos sonhos de Policarpo. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso Estatal, quanto da omissão popular. Diante dessa perspectiva, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
A persistência dessa mazela evidencia, em primeiro lugar, a cultura de desrespeito às normas legais. Nesse viés, em 1948, a ONU estabeleceu que um dos principais direitos de um indivíduo é a segurança e ela seria fundamental à dignidade humana. Todavia, a ausência de medidas Estatais efetivas torna a lei internacional uma realidade distante no Brasil. Com efeito, a permanência dessa problemática no cenário nacional representa grave problema, sendo um incessante transtorno aplicado injustamente sobre a população feminina, fragilizando aquilo que as Nações Unidas declararam como indispensável: a segurança na liberdade de ser quem é.
Ademais, a aceitação popular ratifica que, embora o problema seja grave, não há movimentação popular para modificar esse triste quadro. Segundo a filósofa Simone de Bauvoir: o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele. Dessa forma, substancial parcela dos brasileiros é incapaz de perceber a gravidade dessa mazela contínua e suas consequências. Essa conjuntura se mantém conforme descrito por Simone, o que apresenta crítico problema social e perpetua a omissão denunciada na fala da filósofa. Assim, enquanto a admissão for a regra, o respeito será exceção.
Depreende-se, portanto, que ainda há entraves para que as prescrições constitucionais sejam medidas práticas e uma sociedade mais integrada seja consolidada. Para tanto, a mídia deve discutir o assunto com profissionais especialialistas na área de segurança e saúde da mulher, por meio de programas televisivos de grande audiência. Nesse sentido, tal medida ocorrerá pela elaboração de um projeto Estatal, em parceria com as emissoras de televisão, a fim de apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do empasse. Em adição, o Congresso Nacional irá formular os artigos jurídicos para aumentar a punição àqueles que violam as leis contra tensão em questão, além de melhorar as medidas protetivas para as mulheres vítimas desse atentado. Dessa forma, será possível aproximar a conjuntura brasileira da sonhada por Policarpo Quaresma.