ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 27/07/2021

Em seu livro “Segundo Sexo” a filosofa existencialista Simone de Beauvoir crítica e denuncia o machismo estrutural como principal motivador da violência contra a mulher, visto que subjuga a figura feminina a força masculina. Analogamente no Brasil, nota-se a persistência de agressões direcionadas as mulheres, decorrentes da historicidade e da lentidão burocrática, ocasionando sua consolidação e o crescimento do número de vítimas.

Mediante ao elencado, conforme a filosofa Djamila Ribeiro, as raízes coloniais brasileiras foram responsáveis pela inserção do patriarcado no país, sistema centralizado no homem como detentor de poder sobre o sexo oposto, tratando-se de uma construção histórica de difícil dissolução. Destarte, tal ordenação foi naturalizada no âmbito social, reverberando na atualidade pela persistência da marginalização feminina, sobretudo através de ataques que comprometem sua integridade física e psicológica. Como exposto por dados do Instituto Datafolha, que evidenciaram a ocorrência de 536 atentados contra mulheres a cada uma hora, principalmente jovens negras, que no primeiro semestre de 2020, segundo o Núcleo de Estudos da Violência da USP, corresponderam a 75% dos homicídios femininos, comprovando traços do colonialismo em hodiernamente.

No que tange o enfrentamento das hostilidades, de acordo a dados do Fórum Brasileiro de Segurança, a realização de denúncias ainda é um desafio, tendo em vista que muitas vítimas se sentem acuadas a não procurarem as autoridades, motivadas por ameaças, dependência financeira, vínculo emocional ou até mesmo medo de seus depoimentos serem invalidados ou ridicularizados, dificultando assim a transmissão de alertas e o cumprimento da lei. Ademais, em referência a estudos do Ministério Público de São Paulo, a morosidade jurídica e burocrática, também comprometem o combate a violência ao sexo feminino, uma vez que estendem processos judiciais e protelam a emissão de medidas protetivas, acarretando a exposição e vulnerabilidade da vítima e a possibilidade de fuga ou vingança do agressor, colaborando para perpetuação de ações hostis e do patriarcado na sociedade.

Infere-se, portanto, a necessidade do enfrentamento a conservação da violência contra mulher. A começar pelo desenvolvimento de campanhas informativas pelo Ministério das Comunicações, que visem a conscientização popular através de ensinamentos, como o reconhecimento de relações abusivas e a impotância da realização de denúncias, tendo por finalidade a gradual desconstrução do machismo e a redução do número de casos. Outrossim, a criação de centros de acolhimentos, pelo Ministério da Cidadania, para mulheres agredidas no decorrer de processos jurídicos, que ofereçam auxílio psicológico e financeiro, promovendo a garantia de segurança, apoio e perspectiva de futuro.