ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 27/05/2021

No filme “Homem aranha”, é visto uma cena em que a personagem Marie Jane é cercada na rua por homens, e posteriormanente salva pelo herói do filme. Fora do cinema, a violência contra a mulher perpétua em diversas situações ao longo da história, e essa persistência tem reflexos nas questões sociais e ineficiência das leis brasileiras de proteção.

De acordo com a Simone de Beauvoir, “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, ou seja, dentro da sociedade as mulheres exercem papéis predestinados pelas instituições sociais, as quais seriam a família e o Estado, desde o período antigo. Esse pensamento tornou-se uma tradição para determinar os limites da mulher e suas obrigações, por conseguinte a ruptura desse padrão acarreta diversas violências sofridas pelas mulheres. Contudo a persistência deste ato se enquandra na definição de violência simbólica do pensador Pierre Bourdieu, a qual é a naturalização de um comportamento torná-lo legítimo, dessa forma a violência contra a mulher se tornou uma crença social.

Destaca-se também dados do Mapa da Violência, o qual apresenta um aumento de 230% nas mortes das mulheres nos ùltimos 30 anos, crime determinado como feminicídio. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, apenas 33% dos casos de feminícios são julgados, apresentando uma má eficiência da atuação legal da Lei Maria da Penha. Além disso, as denúncias contra a violência são feitas em ligações abertas, sem ter o anonimato do denuncianente, fazendo com que o medo de ser descoberto impeça a denúncia de acontecer.

Portanto, medidas devem ser tomadas para impedir a persistência da violência contra a mulher. A Defensoria da Mulher, orgão responsável por encaminhar mulheres em situação de violência, juntamente com o governo, devem criar um canal de comunicação para denunciar as violências presentes, garantindo o anonimato da pessoa para que esta se sinta segura. Além disso, é preciso tornar as leis eficientes e práticas, não apenas para garantir a segurança da mulher, mas também da população.